Ibovespa segue volátil puxado por China e receio europeu

SÃO PAULO, 11 de maio de 2010 - Após disparar no pregão de ontem e fechar com alta superior a 4%, as preocupações externas voltam a minar as expectativas dos investidores e o Ibovespa opera com volatilidade nesta terça-feira. O iminente aperto monetário na China e a verificação de que o megapacote de ajuda aos países europeus pode não ser suficiente refletiram sobre o índice que, há pouco, avançava 0,20%, aos 65.586 pontos. O giro financeiro da bolsa estava em R$ 3,287 bilhões.

A euforia inicial do pacote de quase US$ 1 trilhão provocada no mercado acionário brasileiro sinalizou, inicialmente, a permanência do euro e manteve aos países da União Europeia acesso a garantias creditícias. No entanto, segundo Adriano Moreno, estrategista econômico da Futura Investimentos, "a cautela não gira exatamente sobre o valor em si do pacote, mas na realidade, quanto à recuperação econômica europeia já que um ajuste fiscal generalizado implicará, certamente, em efeitos sobre o crescimento econômico do continente".

A queda no Ibovespa reflete também os números divulgados na China, apontando superaquecimento da economia e inevitável aperto monetário já no curto prazo. "A questão é muito mais difícil do que aparenta. A China internamente precisará conter a bolha no mercado imobiliário que cresce a dois dígitos. Isso implica em consumir menos, o que impactará um dos seus maiores parceiros comercial, a Europa. Adiando por mais tempo a recuperação da região".

Diante dos ajustes que a China pode fazer, as ações das empresas brasileiras ligadas a commodities são negociadas com perdas. A OGX (ON) recua 3,77%, a Petrobras (PN) desvaloriza 0,26% e a Vale (PNA) cai 0,46%.

No entanto, apesar da Portugal Telecom não ter aceitado a proposta da Telefonica para adquirir o controle total da Vivo por um valor 100% acima do negociado no mercado, a oferta repercute nas ações do setor de telecomunicações que operam sob forte alta. Há pouco, os papéis da Vivo (PN) valorizavam 7,63%, da TIM (PN) cresciam 5,48% e da Brasil Telecom (PN) subiam 1,78%.

Repercute também o desempenho positivo da nova leva de balanços. A LLX reportou lucro líquido de R$ 2,293 milhões no primeiro trimestre de 2010, ante perdas de R$ 11,286 milhões no mesmo período do ano passado.

(Sérgio Vieira - Agência IN)