Confira como se proteger e até ganhar com a alta dos juros

Portal Terra

DA REDAÇÃO - A elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central em abril ativou o gatilho para a retomada das altas nas taxas cobradas do consumidor. Como a expectativa dos analistas é de aumento até o final do ano, confira a seguir dicas de especialistas para evitar maiores prejuízos com a alta dos juros e até como tirar vantagem, investindo seu dinheiro em aplicações mais rentáveis.

A Selic é a taxa básica pela qual os bancos tomam dinheiro emprestado. Para emprestar ao consumidor, as instituições levam em conta este custo, mais os gastos com impostos, despesas administrativas, o risco de inadimplência e uma margem de ganho. Desse, modo o aumento na Selic afeta as taxas cobradas dos consumidores.

De acordo com o vice-presidente do conselho de administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), Keyler Carvalho Rocha, a alta da Selic aumenta o custo de qualquer financiamento - de imóveis a liquidificadores. "O ideal seria pagar à vista ou só aceitar parcelamento sem juros - minimizar as dívidas porque daqui para frente os juros tendem a subir", disse.

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic de 8,75% para 9,5% em 28 de abril. No mesmo mês, as instituições financeiras já aumentaram as taxas médias de 6,77% ao mês (119,48% ao ano) em março para 6,82% ao mês (120,71% ao ano), segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Se o consumo é inadiável e a não há dinheiro suficiente para pagar à vista, a Anefac aconselha a pesquisar ass taxa de juros de diversos bancos e evitar comprometer uma parcela muito grande do orçamento. As dívidas com cartão de crédito e cheque especial devem ter atenção redobrada.

"Evitar financiamento, dívida em cartão de crédito e cheque especial. Se tiver dívida no cartão e cheque especial, o melhor é tomar um empréstimo consignado ou pessoal, que têm juro mais baixo, e pagar. Estes juros mais altos costumam subir ainda mais com o aumento da Selic. É um tipo de crédito que tem mais risco", afirmou Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de negócios.

Investimentos

A queda da Selic, que estava em 13,5% antes da crise global de 2008, fez com que os rendimentos dos fundos de renda fixa ou DI ficassem bastante próximos ao da poupança. No entanto, a elevação da taxa básica faz com que estes fundos se tornem mais atraentes que a caderneta - que rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), calculada pelo BC.

"A caderneta de poupança não terá nenhuma alteração. Já aplicações em fundos DI, CDB e Tesouro Direto vão ter mais ganhos. No entanto, se for aplicar um fundo DI, é preciso olhar a taxa de administração - acima de 1% ao ano, pode ser que o rendimento não seja tão lucrativo. O CDB não cobra taxa de administração e o Tesouro Direto tem taxa mais baixa, depende da corretora ou do banco", disse Rocha.

As taxas de administração são maiores para quem tem menos dinheiro disponível para investir. Por exemplo, um fundo de DI do Itaú com aplicação mínima de R$ 1 mil (Itaú Super DI) tem taxa de administração de 2,5% ao ano, enquanto um fundo do mesmo tipo com aplicação inicial de R$ 100 mil tem taxa de 1,2%. Além disso, os lucros com investimentos em fundos e CDB são taxados pelo Imposto de Renda, enquanto a caderneta é isenta.

O Tesouro Direto é a compra de títulos emitidos pelo governo federal, sem a mediação de bancos, que cobram taxa de administração. Na aquisição de títulos paga-se 0,1% sobre o valor da operação na compra e taxas de custódia que variam de zero a 4% ao ano, dependendo da corretora. Existem títulos com rentabilidade corrigida pela própria Selic ou pela inflação, além de pré-fixados.