Bovespa segue tendência e tem alta de 4,11%

Jornal do Brasil

SÃO PAULO - A confiança demonstrada pelos líderes europeus na eficácia e solidez do pacote financeiro, que terá a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e incluirá uma ação conjunta dos principais bancos centrais do mundo, teve eco na evolução dos mercados no primeiro dia, e a Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o movimento.

A Bovespa fechou em forte alta de 4,11%, aos 65.452 pontos. O dólar também foi influenciado pelo pacote e despencou, depois de acumular alta de 6,5% na semana passada. A moeda americana terminou o dia cotada a R$ 1,777, em queda de 4% a maior redução diária do dólar no Brasil em quase um ano e meio.

Na Europa , após terem acumulado uma semana de perdas, as bolsas foram contagiadas pelo clima de euforia: Madri fechou com alta histórica de 14,4%, Paris ganhou 9,6%, Frankfurt subiu 5,3% e Atenas registrou um aumento de 9,13%.

As bolsas asiáticas também fecharam com ganhos, embora mais modestos. O índice Dow Jones, principal de Wall Street, fechou subiu 3,9%.

O euro recuperou sua força imediatamente depois de ter afundado no nível mais baixo em 15 meses na semana passada (US$ 1,2523) e era negociado a US$ 1,2861 na parte da tarde.

Outra frente em que o plano europeu parecia reverter a tendência era no do mercado de títulos da dívida soberana. Mas a dúvida que persiste é se esta tendência de melhora significa que a Europa conseguiu dissipar os temores de uma crise da dívida soberana na zona do euro e se blindar ante os ataques dos especuladores.

O Banco Central Europeu (BCE), assim como os bancos centrais da região, começaram segunda-feira a comprar obrigações da dívida dos Estados, um gesto inédito que equivale a emprestar dinheiro aos governos.

Os principais bancos centrais mundiais, incluindo o BCE e o Fed americano, também anunciaram uma ação em conjunto, melhorando, principalmente, a concessão de dólares aos bancos europeus.

Mas a Alemanha conteve o entusiasmo: o fundo aprovado vai reforçar e proteger o euro , mas a zona do euro deve atacar os problemas pela raiz e fortalecer a disciplina fiscal, advertiu a chanceler Angela Merkel.

A agência de classificação de risco Moody's indicou que continua pensando em voltar a rebaixar a nota da dívida soberana da Grécia, depois de tê-la degradado em dezembro.

Depois que a Grécia mergulhou na crise fiscal, o risco de contágio chegou para outros países endividados como Espanha e Portugal, a ponto de ameaçar o futuro da zona do euro.