Zona do Euro aprova formalmente o plano de resgate da Grécia

Agência AFP

BRUXELAS - Os países da Zona do Euro, que participaram nesta-sexta-feira de uma reunião de cúpula, em Bruxelas, aprovaram definitivamente os 110 bilhões de euros, também financiados pelo FMI, destinados ao resgate da Grécia, ao mesmo tempo em que se mostraram dispostos a "reforçar" as medidas de austeridade na União Europeia.

Durante reunião de cúpula extraordinária em Bruxelas, os 16 chefes de Estado e de governo ativaram "sem problemas" o plano de ajuda destinado a evitar a quebra inmediata do governo de Atenas, assinalaram as fontes.

As primeiras partidas devem ser liberadas antes do dia 19, quando o governo helênico enfrentará dívida vencida de 9 bilhões de euros.

Os parceiros da Grécia na zona do Euro emprestarão, até 2012, um total de 80 bilhões de euros, enquanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrará com o restante 30 bilhões de euros.

Os líderes da Zona do Euro acordaram em "reforçar o Pacto de Estabilidade" da União Europeia, o instrumento que limita o déficit público dos países a 3% do Produto Interno Bruto, segundo as mesmas fontes.

Trata-se de uma das primeiras medidas consensuais para evitar novas crises como a grega, que registrou um déficit, em 2009, de quase 14% de seu PIB, Produto Interno Bruto.

Os líderes da Zona do Euro reuniram-se, na noite desta sexta-feira para lançar uma mensagem de disciplina fiscal e tentar colocar, assim, um freio à tormenta financeira que se internacionalizou, a ponto de preocupar o presidente americano Barack Obama e também os países do G7.

A reunião começou por volta das 18h25 GMT (15h25, horário de Brasília), com quase uma hora e meia de atraso em razão ao grande número de encontros bilaterais entre os dirigentes.

Os participantes prometeram endurecer o Pacto de Estabilidade, que enquadra a vigilância fiscal europeia, e fazer economias suplementares "se necessário" para reduzir seus déficits nos próximos anos, segundo o projeto do texto.

A chanceler alemã, Angela Merkel, desde o início relutante em relação ao resgate à Grécia, defendeu, antes da reunião, um endurecimento da disciplina fiscal europeia, incluindo uma modificação nos tratados, bem como uma distinta "aceleração" dos esforços de regulação do setor financeiro, frequentemente acusado de especulação contra os países considerados "elos frágeis".

"Reafirmaremos nossa confiança nas nossas economias e na nossa moeda comum", assegurou o primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, cujo governo aceitou em troca do pacote de ajuda aplicar medidas de austeridade draconianas e muito contestadas em seu país.

Já o presidente Obama, que prometeu proteger os investidores no dia seguinte ao pânico sem precedentes em Wall Street, se disse de acordo com Merkel sobre a necessidade de apresentar "uma resposta forte" para a crise, tanto política quanto financeira, prometendo o apoio de Washington "durante esse período".

Outro sinal dessa preocupação mundial, os ministros das Finanças dos grandes países industrializados que fazem parte do G7 participaram, por sua vez, de uma teleconferência de urgência sobre a crise.

Os mercados fecharam em queda nesta obscura semana: a Bolsa de Paris terminou com menos 4,60%; Frankfurt e Milão perderam 3,27%; Londres 2,62%; Madri 3,28%; Moscou mais de 5%; Bruxelas 4,33%; Atenas 2,86% e Lisboa 2,94%.

A Bolsa de Nova York terminou novamente em baixa nesta sexta-feira, afetada por problemas das dívidas soberanas na Europa e incapaz de se sustentar com os dados de emprego americanos: o Dow Jones perdeu 1,33% e o Nasdaq, 2,33%.

Já o euro conheceu uma leve alta, depois de atingir o nível mais baixo desde março de 2009. Perto das 18h00 GMT, valia 1,2737 dólar contra 1,2644 dólar da noite de quinta.

Inúmeros dirigentes denunciaram com firmeza a "especulação" como a principal responsável pelo agravamento da crise.

Em cólera, a vice-presidente do governo espanhol Maria Teresa Fernandez de la Vega denunciou "os ataques especulativos inaceitáveis" que fizeram a Bolsa de Madri despencar durante a semana, enfatizando que o novo código penal espanhol punirá essas práticas.

Os membros do Comitê Europeu de Reguladores da Bolsa (CESR) anunciaram, por sua vez, a intenção de prestar particularmente "atenção às falhas potenciais às regras e aos casos de manipulação do mercado".

O presidente da Autoridade dos Mercados Financeiros na França, Jean-Pierre Jouyet, mais cedo anunciou que seu país iria investigar "com todos os meios" "os rumores infundados" que atacaram a Espanha e a Itália.

O comissário europeu dos Assuntos Econômicos, Olli Rehn, comparou a situação grega à falência do banco americano Lehman Brothers, considerando que a quebra da Grécia poderia paralisar o sistema financeiro mundial e provocar uma recessão planetária.

Antes da abertura dos mercados europeus, a Bolsa de Tóquio havia fechado em forte baixa (-3,10%), acumulando uma perda de mais de 6% em dois dias. O Banco do Japão teve que injetar 2 trilhões de ienes (17,4 bilhões de euros) no circuito bancário para tentar apaziguar os temores.