Turbulência é momentânea e não altera rumo do dólar, avalia LCA

SÃO PAULO, 7 de maio de 2010 - A pressão recente sobre o câmbio é movimento de curto prazo, natural para um mercado que tem notícias perturbadoras para digerir. A avaliação é da LCA. Segundo a consultoria, não há mudanças na tendência para a taxa de câmbio, que deve finalizar 2010 em R$ 1,75.

Nos três últimos dias, a taxa subiu com força, acumulando alta de mais de 6%, seguindo a piora generalizada dos mercados de risco, sobretudo em função da crise européia. O índice VIX tornou a subir, chegando ao nível mais alto desde a ascensão da crise financeira mundial, no final de 2008. Os mercados de ações acompanham o ritmo e o fortalecimento do dólar no resto do mundo - motivado pelo aumento da percepção de risco - responde pela maior parte deste movimento.

De acordo com a LCA, além das desconfianças em relação à Europa, outros fatores têm contribuído para a maior aversão ao risco, tais como a tentativa de atentado em Nova Iorque, o noticiário corporativo ruim, investigação politizada de bancos nos EUA e medidas do governo chinês para esfriar a economia.

Ainda segundo a LCA, a crise atual não tem potencial para remeter os mercados à dimensão dos problemas de 2008, já que as economias estão mais resilentes. "Se o total das dívidas dos países do sul da Europa é alto, os bancos que as detém estão bem menos alavancados. O impacto sobre a atividade econômica da eventual contração do crédito que se seguiria aos piores cenários possíveis não é desprezível, mas tende a ser bem menor do que em 2008, simplesmente porque as empresas estão operando menos endividadas", comenta.

Outro motivo que justifica as projeções de alta do câmbio a médio prazo é o déficit crescente do saldo em conta corrente. Mas segundo a LCA, as projeções não implicam em dificuldades de financiamento no mercado internacional, já que a situação dos indicadores externos do Brasil é boa, aliada a um ambiente de estabilidade raro entre economias emergentes, que destacam o Brasil entre os destinos preferenciais dos investimentos estrangeiros diretos no mundo.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)