IPCA em linha com o esperado contribui para recuo dos DIs

SÃO PAULO, 7 de maio de 2010 - A curva de juros futuros recua nesta sexta-feira com os investidores avaliando novos dados de inflação e produção no Brasil, mas as preocupações em relação à situação da Grécia e os temores de contágio nos demais países do bloco persistem no mercado.

Na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 apontava taxa anual de 10,99%, ante do 11,02% do ajuste anterior. Janeiro de 2012 projeta juro de 12,38%, contra do 12,42% último fechamento.

Nesta sexta-feira, o mercado monitorou que os congressistas alemães aprovaram a participação do país no pacote de resgate à Grécia. Ontem, o parlamento grego aprovou as medidas de austeridade fiscal no país, motivo que tem gerado fortes conflitos. Com isto, a expectativa é de continuidade nas negociações entre a Grécia e o consórcio de países da Europa e Fundo Monetário Internacional (FMI) para liberar a ajuda financeira, até o dia 19 de maio, quando vence o próximo empréstimo de títulos do país.

Nos Estados Unidos foram criados 290 mil postos de trabalho em abril. Os dados vieram bem melhores que o esperado.

Internamente, as atenções seguem voltadas para os indicadores econômicos e hoje foi a vez do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que aumentou 0,57% em abril, acima da taxa apurada um mês antes, de 0,52%. O resultado não surpreendeu positivamente, mas veio em linha com as estimativas do mercado. Foi divulgado também o resultado da produção industrial brasileira que subiu 2,8% em março, na comparação com fevereiro.

Inês Filipa, economista da ICap Brasil, observa que os núcleos vieram um pouco acima da mediana das expectativas, em linha com o divulgado em março. A alta dos alimentos segue pressionando o núcleo dos preços livres, alta de 0,76%, enquanto o esgotamento da deflação observada nos transportes elevou os preços administrados para 0,14%.

O resultado veio positivo, principalmente o índice de difusão que caiu de 66,4% para 60,9%. Apesar do dado em linha, a inflação segue pressionada, acumulando no ano variação de 2,65%.

A economista lembra que no mês que vem teremos a captação do reajuste de alguns preços administrados no setor de energia e provável manutenção do aumento dos remédios. "A alta dos alimentos deve mostrar algum arrefecimento", estima.

Para Inês, o dado do IPCA não muda a expectativa quanto a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A economista estima novo ajuste da Selic de 0,75 ponto percentual. Atualmente, a Selic está em 9,50% ao ano.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)