Grécia e possível manipulação na Dow Jones derrubam Wall Street

SÃO PAULO, 7 de maio de 2010 - A turbulência tomou conta do mercado norte-americano nesta sexta-feira, um dia após a maior volatilidade nos índices acionários na história do país. As repercussões sobre o possível "erro" nas operações em Wall Street deixaram os investidores preocupados com as intervenções que poderiam estar sendo realizadas nas operações. Além disso, a necessidade de se aprovar imediatamente o pacote grego e a escalada da crise para o continente europeu pioraram as perspectivas futuras de recuperação a médio prazo.

Diante da conjuntura macroeconômica, ao final dos negócios, em Nova York, o índice Dow Jones Industrial Average perdeu 0,33%, aos 10.486 pontos. O S&P 500 caiu 1,53%, aos 1.110 pontos. E na bolsa eletrônica, o índice composto Nasdaq teve desvalorização de 2,33% aos 2.265 pontos.

Pesaram fortemente sobre as negociações acionárias nos Estados Unidos o rumor de que um operador do Citigroup teria provocado a queda histórica da Dow Jones, que em 20 minutos, viu as 30 principais empresas da carteira perderem bilhões de dólares, conseguindo reverter apenas &'8532; das perdas.

Segundo Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da Corretora Souza Barros, "a briga dos CEO's das bolsas norte-americanas contribuiu fortemente para a queda nas negociações nesta sexta-feira. Todo mundo fica preocupado com a facilidade de se fazer manipulações".

Nem mesmo os bons números da economia do país colaboraram para evitar perdas. A economia do país criou 290 mil postos de trabalho em abril.

Do outro lado do Atlântico, a cúpula convocada em regime de urgência, em Bruxelas, visa aprovar definitivamente o plano de ajuda de ? 110 bilhões em três anos concedido à Grécia e preparar a contenção do contágio da crise a outros países da zona do euro, somando esforços para disciplinar o orçamento comum.

"Há ainda o medo de que a Grécia não consiga implementar todas as medidas do ajuste fiscal. Os bancos franceses e alemães seriam os mais prejudicados caso Atenas quebre. A crise seria bem mais generalizada se isso ocorrer", diz Roberto Monteiro.

O assessor de investimentos ressalta que "o rebaixamento dos bancos portugueses e as crescentes pressões sobre Espanha, Portugal, Itália e Irlanda só mostram o quão intrínsecas são as relações financeiras no bloco".

Por fim, ele frisa que com todos os países utilizando a mesma moeda, fica difícil fazer ajustes internos - como a desvalorização ou aumento na taxa de câmbio-. "O Reino Unido, mesmo com problemas, beneficia-se ao usar a libra, pois pode lançar mão de acertos que outros países do bloco não podem realizar", complementa.

(Sérgio Vieira - Agência IN)