Energia elétrica: Novas fontes consideradas para suprir alta demanda

Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para suprir a expansão do consumo de energia, será necessário investimento na diversificação das formas de geração, afirmam especialistas. De toda a produção e demanda de eletricidade do país, 84,1% da matriz elétrica brasileira são formados por uma única fonte: hidrelétricas. Até 2030, o plano nacional de energia pretende reduzir para 75% esta participação.

Segundo o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, a principal fonte nacional vai continuar sendo a hidráulica, mas o objetivo do governo é ampliar a complementação de outras formas de geração, principalmente por biomassa.

O Brasil tem potencial muito grande de expansão de hidrelétricas. Usamos cerca de 80 mil megawatts (MW) e devemos alcançar 180 mil MW até 2030. Precisamos aproveitar essa fonte, que dominamos a tecnologia, é renovável e tem custo competitivo avalia.

Ventura destaca que novos projetos de usinas hidrelétricas e leilões de outras fontes estão previstos para atender ao aumento de demanda nacional por energia. Belo Monte é mais um passo para responder ao crescimento do consumo .

Por ano, a demanda nacional por energia cresce cerca de 3.500 MW. A Usina de Belo Monte tem potência de 4.500 MW médios de geração. Para o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, isso mostra que a hidrelétrica não é a solução para o crescimento do país, já que representa apenas um ano de elevação da demanda. Ele destaca que é preciso ampliar e diversificar as fontes, evitando a dependência de apenas uma.

O desafio energético nacional é muito grande. É preciso comparar o valor real dos projetos, sem considerar os subsídios do governo avalia Sales.

Para ele, o nivelamento do custo de cada sistema é essencial para ser escolhida a melhor fonte, levando em conta fatores sociais, ambientais e econômicos. Outras formas de geração podem ser mais caras, mas não sabemos ainda qual será o custo total de Belo Monte , ressalta..

O custo final de Belo Monte, que pode chegar a R$ 36 bilhões, segundo estimativas de mercado, incluindo R$ 6 bilhões de desonerações do governo, viabiliza o investimento em outras fontes, ressalta Célio Bermann, coordenador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP). O alto valor desta hidrelétrica a aproxima do custo de usinas de energia eólica e de biomassa .

Segundo dados dos últimos leilões nacionais, o valor de comercialização de energia de hidrelétrica (R$ 77,97 MWh, no leilão de Belo Monte) fica abaixo do custo de fontes como eólica (R$ 148,39 MWh, no único leilão de dezembro de 2009), térmica (até R$ 145,23 MWh no último leilão em 2008) e biomassa (R$ 144,60 MWh).

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Helder Queiroz defende a diversificação da matriz energética nacional, mas pondera que o país não pode deixar de lado a vantagem econômica da energia hidráulica. Outras fontes têm custo muito alto, por isso é preciso aproveitar esta fonte natural que o Brasil tem .

Uma solução para atender à demanda e diversificar as fontes, seria a instalação de térmicas perto dos centros de consumo, segundo Sales. Ele ressalta que a matriz elétrica nacional tem grande percentual de fontes renováveis e a construção de termoelétricas não seria prejudicial ao meio ambiente. A construção de usinas de carvão na China chega a uma por semana, com potência de 1 mil MW médios. Em quatro semanas, eles têm a mesma potência que o Brasil demanda por ano , compara.

Energias eólica e solar têm a dificuldade do custo elevado

Fontes alternativas, como eólica e solar, custam caro no Brasil, mas já fazem parte da realidade de países na Europa e na Ásia. Essas opções de energia são economicamente viáveis depois de esgotada a hidráulica, destaca o secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura. Ele conta, no entanto, que o país tem desenvolvido tecnologia de usinas solares para pesquisa.

Os projetos solares têm custo muito elevado. Isso dificulta o uso nacional, já que temos outras fontes mais baratas e que dominamos a tecnologia, como hidrelétricas e biomassa explica Ventura.

De forma complementar, deve ser ampliado o uso da energia eólica, diz Ventura, que destaca que na região Nordeste e no Rio Grande do Sul, a capacidade de geração é muito grande.

O potencial de geração de energia eólica com custo competitivo tem aumentado no país. O primeiro leilão, no ano passado, mostrou que esta fonte pode ser incorporada aos poucos na matriz elétrica nacional aponta Ventura.

No caso da biomassa, o crescimento depende do setor produtor de cana-de-açúcar, explica Ventura. Como a energia da cana é feita com restos da produção de etanol e do açúcar, ela serve para suprir o setor e somente o excedente é comercializado .