Banco Mundial: Países emergentes têm maior peso nas decisões

Agência AFP

WASHINGTON - Os 186 Estados membros do Banco Mundial (Bird) anunciaram neste domingo um acordo para dar mais peso aos países emergentes nas decisões da entidade, mediante a ampliação de seu capital em US$ 5,1 bilhões. Com a mudança, o peso do voto do Brasil passa de 2,06% para 2,24%.

O acordo permite um aumento de capital em duas operações simultâneas: uma parte será uma ampliação geral de US$ 3,5 bilhões, da qual participarão todos os países, e outra denominada seletiva , de US$ 1,6 bilhão, na qual contribuirão os países que querem ver seus direitos de votos aumentados.

Esta ampliação permite, de acordo com um compromisso prévio do Banco Mundial, uma transferência de 3,13% dos direitos de voto aos países em desenvolvimento e em transição , que engloba basicamente os países emergentes.

A China obtém mais vantagens nessa reforma, com um aumento da influência de seu voto de 2,77% para 4,42%, enquanto o voto da Índia passa de 2,77% para 2,91%.

Os Estados Unidos continuam sendo o principal acionista do banco fundado há 60 anos, com quase 16% do capital.

A nova fórmula refletirá melhor o peso dos países em desenvolvimento e em transição, ao mesmo tempo em que protege a voz dos países mais pobres e menores afirmou o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner.

Os países emergentes terão a partir de agora 47% dos direitos a voto para as decisões do banco, depois de uma primeira fase de reformas iniciadas em 2008.

Esta é a primeira ampliação de capital da instituição em 20 anos. O aumento do capital pretende cobrir parte dos mais de US$ 100 bilhões em compromissos assumidos pelo banco desde julho de 2008 em financiamentos, subsídios, investimentos e garantias a projetos privados.

A decisão do Bird aconteceu um dia depois do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter sido criticado pelo Brasil pela falta de ambição e resistência à mudança na revisão das cotas internas de poder, para equilibrar os aportes dos membros com seu nível de representação.

O Brasil pede uma redistribuição de sete pontos percentuais nas cotas internas do fundo em favor dos países emergentes, enquanto os países avançados propõem uma redistribuição de cinco pontos percentuais.

Outro dos principais beneficiados nesse caso seria a China, às custas dos países da União Europeia (UE), atualmente com grande peso na direção do fundo.