Meirelles: Brasil está preparado para déficit de conta corrente

Portal Terra

WASHINGTON - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse neste sábado, em Washington, que a questão de déficit de conta corrente preocupa, mas que o Brasil está bem preparado para reagir a isso e fazer reajustes, graças ao sistema de câmbio flutuante.

"Em 2008, o Brasil demonstrou que está bem preparado para lidar com crises. Saímos mais fortes da crise", disse Meirelles. "Saímos da crise com US$ 240 milhões em reservas e, antes dela, tínhamos US$ 205 milhões", completou.

O chefe da autoridade monetária do país disse que a necessidade de uma reforma financeira global foi a principal pauta do encontro do G20, realizado no dia anterior. Segundo Meirelles, há discordância quanto à aplicação de taxas às instituições financeiras. "Os emergentes acreditam que não contribuíram com a crise e, portanto não precisam adotar estas regras".

Além disso, de acordo com o presidente do BC, o Brasil já conta com mecanismos rigorosos de controle das transações financeiras realizadas no país.

"As reformas têm de ser basicamente para ter melhor qualidade e quantidade de capital, garantindo colchões de liquidez, transparência das operações e registros de derivativos, como já temos no Brasil", afirmou ele.

No encontro do G20, também foi discutida em profundidade a função do Fundo Monetário Internacional (FMI) de fazer a análise da visão macroeconômica dos países e usar mecanismos de monitoramento da economia mundial.

Quanto à situação da Grécia, Meirelles disse que ela serve de alerta para um problema dos países da Comunidade Europeia: a falta de um mecanismo de defesa no caso de crises.

O presidente do BC afirmou que o dólar desvalorizado é de fato um problema importante e que é o resultado do desiquiilíbrio mundial entre consumidores e poupadores.

Meirelles também reafirmou o compromisso do BC em satisfazer as metas de inflação. "Se enganam aqueles que acham que o Banco Central será leniente em relacao à inflação e o Banco será enérgico durante todo processo", disse Meirelles.