Conservadores alemães querem saída da Grécia da zona do euro

Agência AFP

FRANKFURT - A hipótese de uma saída da Grécia da zona do euro deve ser estudada "seriamente", afirmaram conservadores alemães em declarações à imprensa. "A Grécia deveria estudar seriamente abandonar a zona do euro", afirmou Hans-Peter Friedrich, um alto dirigente da CSU, facção do partido da chanceler alemã Angela Merkel, o CDU, em declarações à revista alemã Der Spiegel, que será publicada na segunda-feira.

"Esse tema não deve ser um tabu", acrescentou, completando que a Grécia não apenas tem um problema de liquidez, mas também um problema de fundo estrutural e de crescimento.

A Grécia, afetada por sua enorme dívida, decidiu na sexta-feira pedir à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) uma ajuda de emergência de 45 bilhões de euros, mas a Alemanha, que seria o principal contribuinte do fundo, continua impondo condições.

"Sou muito cético quanto a saber se este pacote de ajuda está em conformidade com o direito europeu e com o direito constitucional alemão", declarou por sua vez à Der Spiegel o líder dos conservadores alemães CDU/CSU no Parlamento Europeu, Werner Langen.

Para Langen, este resgate não representará uma solução duradoura à crise grega e a "verdadeira alternativa" seria a Grécia "abandonar a zona do euro e voltar a ser competitiva mediante reformas estruturais".

Várias revistas alemãs debateram neste sábado uma eventual saída da Grécia da zona do euro. "A única solução é um corte claro: a Grécia deve sair do euro", afirma o jornal popular Bild, o mais lido da Alemanha, que tem como título: "Os gregos querem nosso dinheiro".

Para o jornal de Berlim Tegesspiegel, "a última solução para os gregos, se a ajuda (europeia e do FMI) não funcionar, é uma saída" da zona do euro.