Santander prevê alta da Selic em 0,75 pontos percentual

SÃO PAULO, 23 de abril de 2010 - Em informe semanal do Santander, a alta para a Selic deverá ser de 0,75 ponto percentual (p.p.), o que sinalizaria que o governo deveria realizar aperto monetário e fiscal para conter a alta do consumo e evitar hiperinflação.

Segundo o comunicado, o estoque de crédito total cresceu 1,2% m/m em março (16,9% a/a), embalado pela recuperação econômica e pelos incentivos fiscais à compra de automóveis.

Já o mercado de trabalho em março teve aumento da população ocupada pressionando salários. Para os executivos do Santander, a taxa de desemprego deve ter passado de 7,4% para 7,7% em março, o que deve significar mais uma leve queda em termos dessazonalizados.

"A melhora vem acompanhada por uma significativa alta nos rendimentos", afirma os analistas da instituição financeira. "Devido a queda do superávit e da dívida em março, projetamos superávit primário de R$ 3,5 bilhões para o governo central e R$ 5,8 bilhões quando incluídos estados, municípios e empresas estatais", afirmam em relatório.

De acordo com os analistas, a próxima semana deve manter um bom cenário para as divulgações do Fed, que apontará uma recuperação da economia com inflação baixa. O PIB do 1º trimestre deverá seguir indicando recuperação da atividade, com o deflator do consumo sob controle.

Nos Estados Unidos, o PIB do 1º trimestre deverá crescer 3,6% t/t. O mercado projeta 3,4%. Apesar de menos intensa que no 4º trimestre (+5,6% t/t), a expansão da economia continuou ao longo dos primeiros meses de 2010 e não parece confinada.

Os ativos mais sensíveis à aversão global ao risco seguem oscilando sem uma tendência clara. De um lado, a liquidez abundante e indicadores econômicos favoráveis levaram os preços a patamares elevados, mas por outro, persistem os temores em relação à situação fiscal de diversas economias e dúvidas quanto à sustentabilidade da retomada do crescimento.

A exceção fica por conta do mercado de renda fixa no Brasil, onde o cenário tem mudado substancialmente, no sentido de incorporar juros cada vez mais altos. Dado o ritmo de crescimento e a parcimônia da política monetária, essa e outra tendência que não deve mudar tão cedo. Mais prêmio inflacionário e taxas mais elevadas na ponta longa da curva.

(Redação - Agência IN)