Mercado avalia crise grega e dólar fica no zero a zero

SÃO PAULO, 23 de abril de 2010 - O dólar manteve próximo do zero a zero nesta sexta-feira, em meio à instabilidade das bolsas de valores em sessão marcada pelo pedido da Grécia à ativação do mecanismo de ajuda Fundo Monetário Internacional (FMI) e União Européia. O plano prevê concessão de empréstimos de ? 45 bilhões, com juros de 5%.

Após flutuar entre R$ 1,762 e R$ 1,767, o dólar encerrou em leve queda de 0,06%, vendido a R$ 1,763. Segundo o economista da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a tendência é de que o câmbio continue oscilando entre R$ 1,75 e R$ 1,80 no curto prazo. "Não há fundamentos que sustentem a perspectiva de uma taxa cambial, sem interferências indutoras, abaixo de R$ 1,80, que no momento esta no entorno de R$ 1,75 fomentada pelas posições vendidas dos bancos no mercado à vista", avalia. Além disso, fatores limitantes do cenário de perspectiva de fluxo para o país não sancionam grandes apreciações do real abaixo de R$ 1,75, já que neste nível há grande contração da liquidez e maiores riscos de realização dos ganhos.

Na avaliação de Nehme, o fluxo negativo em abril aliado as compras de mais de US$ 2,2 bilhões no mercado à vista até o dia 19 foi o que conduziu os bancos às posições vendidas, mostrando que o BC deseja uma taxa de dólar depreciada. "O BC tem como estratégia de política monetária utilizar o câmbio na contenção das pressões inflacionárias", avalia. Um dólar mais fraco reduz o preço dos insumos importados, dos bens de consumo acabado e inibe o repasse de preço das commodities no mercado interno. "Apreciar o real é uma das alternativas para fazer o câmbio parceiro dos juros, para que não haja necessidade do Copom elevar a Selic de forma mais agressiva', observa. Segundo Nehme, a autoridade monetária deve promover ajuste de 0,50 ponto na Selic neste mês e um possível aumento de compulsório não está descartado para fechar o ciclo. "Isto porque, o papel do BC é zelar pela economia e não desestimular o setor produtivo", finaliza.

No exterior, Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do FMI, prometeu responder rapidamente ao pedido de ajuda financeira da Grécia, confrontada com uma crise orçamentária sem precedentes. Além da Grécia, os investidores repercutiram indicadores econômicos apontando para direções distintas. Enquanto os novos pedidos de bens duráveis às indústrias dos EUA recuaram 1,3% em março deste ano depois de três altas consecutivas, as vendas dos imóveis novos apresentaram alta de 26,9% em março ante fevereiro.

Na rotina, o BC comprou dólares no mercado à vista. A taxa de corte ficou em R$ 1,7633.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)