Itália: desemprego industrial deve ter maior taxa dos últimos 50 anos

Agência ANSA

ROMA - O desemprego na indústria italiana deve alcançar os 11%, atingindo "os maiores níveis dos últimos 50 anos", segundo um informe divulgado hoje em Bolonha pelo centro de estudos econômicos Prometeia. Em 2009, o índice foi de 7,8%.

Apesar disso, o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) do país se consolidará em 1% em 2010, na comparação com o crescimento de 0,8% do ano passado. Até 2014, o número chegará a 1,3% na média anual, com uma contribuição positiva do saldo externo.

As previsões trazidas pelo Prometeia destacam que a retomada da economia italiana está intimamente ligada à reação da indústria, condicionada por sua vez à reestruturação do setor, realizada em 2000.

O centro de estudos econômicos acredita que há espaço para uma retomada desta reestruturação, mas ressalvou que "não poderá acontecer da mesma forma que naquela época, com um sacrifício modesto do emprego".

"Tendo que recomeçar de um nível de produção inferior a 20% em relação ao período pré-crise, as empresas podem recuperar nos próximos anos a competitividade nos mercados, aumentando os custos e, entre eles, os custos do trabalho", informou o relatório.

De acordo com o documento, a moderação salarial permitirá manter, e em alguns setores até ganhar, posições nos mercados internacionais. O sinal macroeconômico deste reforço "será uma contribuição positiva das exportações ao PIB, depois de 15 anos de contribuições negativas".

A Itália poderá voltar a ter competitividade em dez anos, através de uma desinflação dos custos internos. O ônus a curto prazo, no entanto, será pago "com um menor crescimento da demanda interna, a ponto de em 2014 sermos o único entre os grandes países europeus a não ter recuperado os níveis pré-crise", informou o relatório.