Furlan torce para fusão de Sadia e Perdigão ser oficializada

Valmir Zambrano, Portal Terra

COMANDATUBA - Falta pouco menos de um mês para o primeiro aniversário do anúncio da fusão entre duas gigantes brasileiras de alimentos, Sadia e Perdigão, mas até agora o casamento delas ainda não foi oficialmente aprovado pelos órgãos de defesa da concorrência do governo federal. "Estamos torcendo para que o processo seja aprovado em breve porque as duas empresas estão trabalhando em paralelo, sem poder fazer uma série de sinergias, por não termos a decisão do governo", afirmou Luiz Fernando Furlan, co-presidente do conselho de administração da Brasil Foods, nome surgido após a união de Perdigão e Sadia, anunciada em 19 de maio do ano passado.

Furlan fez sua declaração após palestra no 9º Fórum Empresarial, em Comandatuba, Bahia, nesta sexta-feira (23). "Temos colaborado com todas as informações necessárias para o avanço do processo. Agora só esperamos que o governo dê sua posição para podermos seguir com nossos planos", disse ele.

O empresário disse, porém, que apesar das economias que a empresa vem deixando de fazer, não está preocupado com a possibilidade de a aprovação ficar para depois da saída do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim deste ano. Isso porque Lula sempre foi um entusiasta da criação de grandes empresas nacionais, capazes de competir com as corporações transnacionais, mesmo que essas gigantes brasileiras sejam formadas na base de fusões.

"Não tenho preocupação sobre quem será o presidente na época da aprovação, porque os critérios para isso são técnicos. Mesmo que o futuro presidente não pense igual ao atual, o que vale é a posição dos órgãos de defesa da concorrência", afirmou Furlan.

O governo não tem um prazo fixado para responder à Brasil Foods. Há casos que estão parados há anos, à espera de um veredito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a quem cabe julgar os processos. Quem alimenta o Cade com informações são a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e a Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (SAE). O processo da Brasil Foods está atualmente na SAE.

Furlan, que foi ministro do Desenvolvimento de Lula por seis anos, voltou para o conselho da Sadia em outubro de 2008 para tentar consertar os problemas causados por operações malsucedidas com moedas estrangeiras, atribuídas à equipe financeira da companhia. Furlan, que é acionista e neto do fundador da Sadia, acabou conduzindo o processo de união com a rival Perdigão.