Enquanto aguarda Copom, investidor ajusta curva de juros

SÃO PAULO, 23 de abril de 2010 - Enquanto aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação ao rumo da taxa Selic, os investidores aproveitam para ajustar a curva de juros futuro. Na BM&FBovespa as projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operam sinalizando elevação no curto prazo e queda nos vencimentos mais longos. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2011 projetou taxa anual de 10,73%, ante 10,67% do ajuste anterior. Janeiro de 2017 registrou juro de 12,67%, ante 12,75% da véspera.

Em relação à política monetária brasileira, os players ainda se encontram divididos em relação ao tamanho do ajuste que o colegiado do Banco Central (BC) deve fazer nos juros, há quem estime aumento mais conservador em 0,5 ponto percentual. Mas há ala dos que projetam elevação entre 0,75 e 1 ponto percentual.

Para João Prado da mesa de renda fixa da ICap Brasil, apesar do forte crescimento do mercado de trabalho, renda em alta e demanda aquecida, o colegiado do BC deve optar por um aumento de 0,5 ponto na taxa Selic, fixada em 8,75% ao ano.

Prado comenta ainda que o processo de ajuste da Selic deverá ser gradual, com a autoridade monetária acompanhando o desempenho da economia para avaliar até que momento poderá fazer a elevação dos juros.

Na agenda do dia, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) do dia 22 de abril que registrou variação de 0,76%. "Apesar do arrefecimento, a taxa foi menor que o esperado, com o grupo alimentação tendo ainda grande peso na alta do índice", comenta Inês Filipa, economista da ICap Brasil.

Segundo analistas do mercado de renda fixa, os agentes financeiros avaliaram hoje um relatório elaborado por Eduardo Loyo economista-chefe do Banco BTG Pactual, no qual ele prevê três elevações na taxa Selic de 0,75 pontos com início na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) agendada para 27 e 28 deste mês.

A melhora externa ajudou os juros longos a devolverem prêmios. Os investidores reagem ao pedido de ajuda da Grécia aos países vizinho e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para conter seu déficit fiscal.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) deve divulgar na próxima semana projeções sobre o crescimento da economia em 2010.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)