Consumidores preferem cortar gastos para quitar dívidas

SÃO PAULO, 23 de abril de 2010 - Pesquisa realizada pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), junto a cerca de 830 consumidores atendidos nos balcões do serviço, revela que 68% dos consumidores que pretendem quitar ou renegociar seus débitos vão cortar gastos para poderem atender aos encargos da renegociação. Dentre os entrevistados, 29% possuem dívidas entre R$ 501,00 e R$ 1.000,00, 19% na faixa de R$ 301,00 e R$ 500,00 e 12% em valores de até R$ 300,00. No caso dos débitos de maior valor, 15% estão na faixa de R$ 1.001,00 a R$ 1.500,00, 10% na casa dos R$ 1.501,00 a R$ 3.000,00 e 15% na faixa superior a R$ 3.000,00.

A superintendente de Produtos e Serviços do SCPC, Roseli Garcia, afirma que os débitos de valor mais elevado são explicados pela participação crescente do financiamento de veículos e do crédito imobiliário no total. "Quando uma prestação não é paga e o CPF do consumidor é encaminhado ao SCPC, a dívida é registrada pelo valor total pendente, o que também explica os valores mais elevados", esclarece a especialista.

A maioria dos entrevistados (59%), afirmou poder pagar prestações de até R$ 100,00 no caso de uma renegociação dos débitos, enquanto 24% poderiam dispor de até R$ 200,00 e, 12%, entre R$ 201,00 e R$ 400,00, para essa finalidade. Apenas 5% dos consumidores ouvidos poderiam pagar parcelas superiores a R$ 400,00, dos quais, 3% até R$ 600,00. Para poder atender a esses encargos adicionais, 68% afirmaram que iriam utilizar recursos dos salários, cortando outros gastos, enquanto 9% pretendiam usar parte das férias e 5% do 13º. Para Roseli, essa atitude dos consumidores de cortar gastos para poder sair do cadastro do SCPC mostra a preocupação dos mesmos com relação a seu nome, que é o seu patrimônio e que lhe garante o acesso ao crédito.

O comércio, com 45% das respostas, é o maior credor, seguido de bancos, com 22% e financeiras, com 18%. Dos consumidores que procuraram as empresas (35% dos entrevistados), 43% renegociaram os débitos. Entre os que não tentaram a renegociação, 67% não o fizeram por falta de recursos. "A recuperação do crédito é importante tanto para os cidadãos, para terem novamente o acesso ao crédito, como para os credores, porque não apenas recuperam os recursos dos financiamentos, como passam a contar com o retorno dos consumidores ao mercado", declara a superintendente do SCPC.

(SSB - Agência IN)