Moody's estima taxa Selic em até 11% no fim de 2010

SÃO PAULO, 22 de abril de 2010 - A forte recuperação da economia brasileira este ano, baseada na absorção doméstica, está gerando excesso de demanda, que já começou a impor pressões sobre a inflação e as importações. Diante dessa conjuntura, na próxima reunião para decisão da Taxa Selic, o Comitê deveria considerar elevar a taxa de juros em 0,50 a 0,75 pontos percentuais (p.p), afirma a moody's em seu comunicado sobre a perspectiva brasileira intitulado "Tempo para aperto monetário no Brasil". A agência de classificação de risco estima que no término de 2010, o valor da taxa de juros brasileira seja de até 11%.

A aceleração do crescimento, certamente, coloca a economia no território do superaquecimento deste ano. A fim de evitar consequências negativas para o equilíbrio interno e externo, a política monetária deve atuar rapidamente e criar condições na zona restritiva, até ao final do ano. Entretanto, a taxa Selic deve subir para a zona neutra, em abril. No entanto, a reversão monetária irá impor novas pressões sobre o fortalecimento da moeda.

Ainda de acordo com o documento, a economia cresceu no primeiro trimestre deste ano a uma taxa estimada entre 7% e 8%, que é definitivamente acima da velocidade potencial. Embora as taxas de crescimento previstas para o segundo semestre do ano sejam moderadas, por efeito da deterioração da balança comercial, o produto Interno Bruto (PIB) irá postar avanço em torno de 6% no acumulado dos 12 meses, o que vai empurrar a economia para a zona de superaquecimento.

Para evitar uma espiral inflacionária gerada não só pela crescente demanda em excesso, mas também por eventual deterioração das expectativas de inflação, o Banco Central deve agir em breve pelo aperto das condições monetárias.

A fim de continuar a reduzir o excesso de demanda e deixar a economia funcionar em um ambiente livre de desequilíbrio, a taxa Selic deve terminar este ano no território restritiva, no intervalo de 10% para 11%.

(Sérgio Vieira - Agência IN)