Câmbio segue humor externo e dólar sobe

SÃO PAULO, 22 de abril de 2010 - Na volta do feriado de Tiradentes, a complicada situação fiscal da Grécia volta a tomar conta dos mercados, pesando sobre os principais ativos. Há pouco o dólar subia 0,97%, a R$ 1,770 na venda.

Segundo analistas, geram apreensão nos mercados os comentários da Eurostat de que o déficit fiscal da Grécia é maior do que o previsto anteriormente. De acordo com a agência, o rombo grego ficou em 13,6% do Produto Interno Bruto(PIB) em 2009, frente aos 12,9% estimados pelo governo do país.

Na zona do euro, o déficit fiscal atingiu 6,3% do PIB, número 4,3 pontos percentuais acima do registrado um ano antes. Com a notícia, crescem as expectativas de que o País recorra ao pacote de US$ 60 bilhões acertado pela União Européia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) no final do mês passado.

Na agenda do dia, as vendas de imóveis usados residenciais nos EUA ficaram acima do esperado para o mês de março (5,35 milhões de casas ante estimativas de 5,29 milhões). Já o índice de preços ao produtor (PPI) teve alta de 0,7% em março, em linha com as expectativas. A alta já era esperada devido à pressão gerada pela escassez de alguns produtos agrícolas. Além disso, os pedidos por auxílio-desemprego atingiram 456 mil solicitações na semana passada.

Na temporada de balanços, os resultados seguem com ritmo intenso. Ainda hoje saem os números da Microsoft e Amazon, que devem apresentar lucro de US$ 0,42 e US$ 0,61 por ação, respectivamente. Logo cedo, os investidores repercutiram os números da Verizon e Pepsico.

Durante o feriado, o FMI fez alertas de que o Brasil é um dos países que corre o risco de registrar superaquecimento da economia. O Fundo revisou em alta suas estimativas para o PIB do País, de 4,7% para 5,5%, este ano, e de 3,7% para 4,1% em 2011.

Internamente, os players destrincham os números das contas externas. O saldo das transações correntes do País registrou déficit de US$ 12,14 bilhões no primeiro trimestre. Na visão de especialistas, a deterioração das contas externas está relacionada com o crescimento da economia brasileira. "Com a economia em crescimento, aumentam as importações e o resultado positivo da balança comercial fica menor", comenta um operador. De janeiro a março, as operações comerciais caíram em mais de 70% na comparação anual, para US$ 892 milhões contra 2,98 bilhões do mesmo período de 2009. Para 2010, diante da previsão de crescimento econômico acima de 5%, o BC manteve a expectativa de rombo de US$ 49 bilhões na conta corrente.

Mantendo a rotina, o BC comprou dólares no mercado à vista. A taxa de corte ficou em R$ 1,7672.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)