Gerdau foge de Belo Monte por conta de 'pontos obscuros'

Valmir Zambrano, Portal Terra

COMANDATUBA - O presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, afirmou que os ¿pontos obscuros¿ que cercam a contrução da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), são os responsáveis pela não participação de sua companhia no projeto, que é capitaneado pelo governo federal.

O leilão para definição de quem construirá a usina ocorreu nesta terça com a vitória considerada surpreendente de um consórcio liderado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco), estatal que tem 49% de participação no consórcio.

Johannpeter disse que há estudos dentro da companhia para participar do projeto na forma de autoprodução, mas que há enormes entraves a uma decisão favorável por conta da falta de informações confiáveis e excesso de dúvidas, inclusive quanto à viabilidade da obra.

Pelo sistema de autoprodução, as siderúrgicas do Grupo Gerdau conseguem considerável economia no gasto com energia elétrica. A ideia em relação a Belo Monte é a de colocar dinheiro na construção da usina e em troca tornar-se dona de um porcentual da produção de energia.

Segundo o empresário, por esse sistema é possível reduzir pela metade os custos com impostos cobrados pelo governo sobre energia elétrica.

"É muito interessante participar da usina, mas nós não sabemos quando ela sai do papel, como ela sai do papel e até mesmo se ela se tornará realidade, por conta da mobilização que existe contra o projeto¿, disse Johannpeter durante o 9º Fórum Empresarial, que reúne políticos e empresários em Comandatuba, Bahia.

Johannpeter não descarta, porém, a participação da Gerdau no projeto, desde que as dúvidas sejam esclarecidas. Ele afirmou que as contestações de grupos ambientalistas, as batalhas jurídicas constantes a favor e contra a obra e a vitória de um consórcio liderado pela estatal Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) são alguns dos motivos que fizeram a Gerdau recuar em relação a Belo Monte.

Segundo Johannpeter, o consórcio que venceu o leilão foi uma surpresa para o mercado por não incluir as maiores empreiteiras brasileiras, como Odebrecht e Andrade Gutierrez. "Essa vitória inesperada é um fator que também coloca dúvidas sobre a execução da usina", disse o empresário.