Reconhecimento de juros faz dívida pública subir R$1 bi

SÃO PAULO, 20 de abril de 2010 - O reconhecimento de juros contribuiu para que a dívida pública tivesse ligeiro aumento em março. Segundo números divulgados há pouco pelo Tesouro Nacional, o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) aumentou 0,01%, passando de R$ 1,494 trilhão em fevereiro para R$ 1,495 trilhão no mês passado.

A dívida pública mobiliária (em títulos) federal aumentou 0,19%, passando de R$ 1,397 trilhão para R$ 1,4 trilhão. Apesar de o Tesouro ter resgatado R$ 11,97 bilhões em títulos a mais do que emitiu em março, o reconhecimento de juros somou R$ 14,69 bilhões, o que acarretou o aumento.

A dívida pública externa encerrou março em R$ 94,74 bilhões, 2,64% a menos do que em fevereiro. Segundo o Tesouro, o principal motivo para essa diminuição foi a queda de 1,66% no dólar observada no mês passado.

A proporção de títulos prefixados (com juros definidos no momento da emissão) voltou a subir em março, atingindo 31,53% da dívida mobiliária interna. A parcela dos papéis vinculados à Selic (taxa que define os juros básicos da economia) caiu de 37,66% em fevereiro para 35,74% em março.

A participação dos títulos corrigidos por índices de preços registrou leve alta, de 30,15% para 30,82%. Já a parcela da dívida interna atrelada ao câmbio ficou praticamente estável, passando de 0,74% para 0,72%.

O aumento da participação de papéis prefixados facilita a administração da dívida pública porque permite ao Tesouro saber, com antecedência, quanto gastará para resgatar os títulos. Os títulos corrigidos pela Selic são vantajosos em momentos de queda da taxa básica de juros, mas provocam aumento da dívida caso o Banco Central reajuste a taxa Selic.

O prazo médio da DPF registrou leve aumento, passando de 3,70 anos em fevereiro para 3,73 anos em março. Desde o ano passado, o Tesouro divulga o prazo médio da dívida em anos, não em meses. Prazos mais longos também são vantajosos para o governo porque indicam aumento da confiança dos investidores na capacidade de pagamento do Tesouro.

Por meio dos títulos públicos, o governo pega recursos emprestados dos investidores para honrar os compromissos. Em troca, o Tesouro compromete-se a devolver o dinheiro acrescidos de algum tipo de juro. A correção pode ser determinada com antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a taxa Selic, a inflação e o câmbio. As informações são da Agência Brasil.

(Redação - Agência IN)