Inadimplência tem queda atípica para o período: 5%

Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - O aumento da renda e do emprego está fazendo com que os brasileiros quitem suas dívidas neste início de ano, trazendo índices de inadimplência para níveis abaixo do esperado para a época. A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), apontou queda do total de famílias endividadas de 63% em março para 58% em abril, entre 17.800 consumidores pesquisados. Apesar disso, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), continua alto, registrando 130,4 pontos, numa escala de zero a 200.

Para o chefe da divisão econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, este é um ano atípico para o comércio . Segundo ele, nesta época do ano, a tendência seria a de aumento da inadimplência e queda no volume de vendas.

O comércio navega em velocidade de cruzeiro. O consumo deverá ser forte, por conta da demanda das famílias, e o cenário só mudará caso as taxas de juros subam demasiadamente explica Thadeu de Freitas, afirmando ainda que o crescimento da atividade econômica seria ainda maior, não fosse pela crise econômica mundial.

A economista Marianne Hanson ressalta que a evolução do emprego e renda no primeiro trimestre de 2010 foi responsável pelos resultados. A alta do percentual de famílias que não terão condições de pagar, de 8,7% em março para 9% em abril, não altera as perspectivas favoráveis para inadimplência no primeiro semestre do ano , avalia.

Apesar de alto, o ICF registrou queda em abril de 2,1%. Os principais motivos foram a perspectiva profissional (-4,9%) e o momento para aquisição de bens duráveis (-4,9%). O economista da divisão econômica da CNC, Fabio Morand Bentes, observou que o Caged mostrou uma interrupção no grande crescimento do emprego nas regiões Norte e Nordeste.

Houve queda ou desaceleração em estados do Norte e Nordeste, onde a geração de empregos vinha crescendo forte destacou Bentes, acrescentando que essas regiões responderam pela queda no índice de perspectiva profissional.

A perspectiva de consumo, no entanto, mostrou uma alta de 0,7% em abril.

Thadeu de Freitas também destacou que, com a redução do risco causado pela queda da inadimplência e do endividamento, mesmo com a pressão de alta da Selic, o spread bancário não deve aumentar. O varejo ainda deve bater recorde este ano .