DIs se estabilizam no curto prazo após números do IPCA-15

SÃO PAULO, 20 de abril de 2010 - Os indicadores de inflação divulgados nesta semana mostram arrefecimento nas pressões inflacionárias, mas não enfraquecem as apostas mais agressivas para os juros. Na BM&FBovespa, os prêmios embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) sinalizam estabilidade nas taxas de curto prazo, repercutindo a desaceleração do IPCA-15. Nos vencimentos mais longos, os prêmios sobem. O DI para julho de 2010 apontava taxa anual de 9,42%, mesma do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2013 subia de 12,49% para 12,55% ao ano.

Segundo o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Rosa, o esforço da autoridade monetária para manter a inflação sob controle deve ser maior neste mês, promovendo aumento de 0,75 ponto percentual na reunião de abril e a Selic encerrando 2010 em 11,50%. Na visão dele, mais do que a inflação em si, pesam sobre as apostas os últimos indicadores de atividade reafirmando a trajetória de forte aquecimento da economia brasileira, como os números da venda no varejo.

Neste cenário, a SulAmerica revisou suas projeções de crescimento do PIB no primeiro trimestre, de 1,4% para 1,9%, encerrando 2010 em 6,4%, ao invés de 5,5%. Para Rosa, os principais fatores para o crescimento continuam os mesmos. "Do lado da demanda, o crescimento é liderado pelo consumo das famílias e investimentos, e pelo lado da oferta, pela indústria", destaca. Dado o maior crescimento, também esperamos maior pressão inflacionária, agora projetamos IPCA encerrando o ano em 5,4%.

Para Inês Filipa, economista da ICap Brasil, os dados divulgados hoje não alteram as expectativas para a reunião do Copom deste mês, apesar do forte crescimento do mercado de trabalho, renda em alta e demanda aquecida. "O processo de ajuste da Selic deverá ser gradual, com o BC acompanhando o desempenho da economia para avaliar até que momento poderá fazer a elevação da Selic, buscando reduzir a alta acumulada do IPCA este ano e ancorar as expectativas dos agentes de mercado quanto ao resultado do IPCA 2011", avalia.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 desalecerou para 0,48% em abril deste ano, ante 0,55% registrado um mês antes (0,55%). O resultado veio em linha com o consenso. Ainda no campo inflacionário, a 2ª medição do Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) registrou variação de 0,50%, menos do que os 0,91% registrado em igual período de fevereiro.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)