Apesar de clima tenso no exterior, dólar cai por fluxo

SÃO PAULO, 19 de abril de 2010 - O clima de aversão a risco orientou os principais mercados nesta segunda-feira, em meio aos temores ainda relacionados ao banco de investimento Goldman Sachs. Balanços corporativos e a Grécia também movimentaram o dia. Mas após altas e baixas, o dólar terminou vendido a R$ 1,753, com desvalorização de 0,45% diante do fluxo positivo.

A Securities and Exchange Comission (SEC), entidade regulatória dos mercados norte-americanos, acusou na última semana o banco norte-americano de fraude nos mercados de créditos subprimes. Além da SEC, o Goldman Sachs também poderá enfrentar investigações semelhantes no Reino Unido e na Alemanha.

Segundo a diretora de câmbio da AGK, Miriam Tavares, os investidores seguem divididos sobre os possíveis impactos da acusação do Sachs sobre os mercados. "A questão mais importante, por ora, é se as acusações produzirão a volta do stress em níveis mais preocupantes ou se não passará de um momento de volatilidade", destaca. Na visão dela, entretanto, a solidez da economia brasileira e o juro local alto, com perspectiva de aumento na próxima reunião do Copom, devem impedir que as cotações do dólar se afastem muito do patamar de R$ 1,80, mesmo em eventual piora do quadro externo.

A China também pesou sobre o humor dos mercados. O governo chinês anunciou medidas para conter o avanço do crédito imobiliário. O governo quer reprimir os empréstimos no mercado imobiliário e conter a alta dos preços dos imóveis, a fim de evitar uma bolha no setor.

No Brasil, o saldo da balança comercial ficou negativo em US$ 108 milhões na terceira semana de abril, resultado de US$ 3,292 em exportações, menos US$ 3,400 em importações. No acumulado do ano, o fluxo está positivo em US$ 1,574 bilhão.

Mantendo a rotina, o Banco Central comprou dólares no mercado à vista.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)