Tendência é de queda, mas dólar esbarra em piso de R$ 1,70

SÃO PAULO, 9 de abril de 2010 - O cenário continua favorável à depreciação do dólar no mercado brasileiro, mas as expectativas atuais mantêm o piso de R$ 1,70 para a taxa. A avaliação é da diretora da AGK Corretora, Miriam Tavares.

Segundo ela, as captações externas tendem a continuar, assim como o apetite do investidor estrangeiro pela bolsa brasileira. Em apenas três dias úteis de abril ingressou mais de R$ 1 bilhão de capital estrangeiro na BM&FBovespa. Ontem, o Banco Itaú captou US$ 1 bilhão com emissão de bônus de 10 anos e a demanda, segundo informações, foi robusta. Neste sentido, outros bancos devem aproveitar o forte interesse do investidor e o baixo spread de risco para emissores da dívida no Brasil.

Uma eventual valorização expressiva do iuan, como vem sendo especulado no mercado, é outro fator para contribuir com a apreciação do real. "Caso ocorra, em um primeiro momento, exercerá alguma pressão de apreciação sobre a moeda brasileira e demais moedas de países que hoje sofrem com a concorrência dos produtos chineses, anulando, portanto, parte dos benefícios que essa medida chinesa traria em termos de competitividade", comenta Miriam.

Neste sentido, o encontro entre governantes norte-americanos e chineses alimentam as especulações de que a China estaria preparando mudanças em sua política cambial. "Mas, as tensões externas devem continuar como pano de fundo ainda por algum tempo, o que, juntamente com alguma pressão interna por conta das eleições devem limitar valorizações muito acentuadas do real", pondera. A expectativa é de que a taxa não oscile fora dos níveis de R$ 1,70 a R$ 1,90.

Miriam destaca que caso os ambientes se tornem muito favoráveis aos ingressos de recursos estrangeiros no País - com aumento do apetite global por risco, do diferencial dos juros a favor do Brasil e dos preços das commodities exportado pelo País - o Banco Central e o Tesouro Nacional devem elevar o volume de compra da moeda, para impedir quedas muito acentuadas do real ante o dólar.

"Porém, em cenário oposto, o volume de reservas do Brasil, o juro local alto e as condições sólidas da economia também devem amenizar eventuais pressões externas negativas mais acentuadas sobre o balanço de pagamentos brasileiro", finaliza. A estimativa é de câmbio termine 2010 em R$ 1,80.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)