Saúde financeira da Grécia reforça volatilidade no câmbio

SÃO PAULO, 8 de abril de 2010 - A volatilidade comandou os negócios nesta quinta-feira por conta das preocupações com a saúde financeira da Grécia. No entanto, o câmbio doméstico passou a operar sob menor pressão no fim do dia, acompanhando o humor dos mercados internacionais e o fluxo de recursos. No término da sessão, a moeda norte-americana subiu 0,06%, vendida a R$ 1,778.

Dados do comércio varejista dos Estados Unidos e as declarações do porta voz do governo grego, após aumento dos temores de que o país não conseguirá pagar a dívida diante do crescimento dos custos para tomar empréstimos, trouxeram certo alívio aos negócios.

De Atenas, George Petalotis afirmou que o País não precisa ativar neste momento o mecanismo de resgate elaborado pela União Européia e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Já o ministro de Finanças grego, George Papaconstantinou, reforçou que o País vai continuar tomando empréstimos apesar dos recordes registrados hoje nos custos para captação do país nos mercados financeiros. "Nosso objetivo é a restauração da credibilidade do país", declarou em comunicado.

Para André Perfeito, analista da Gradual Investimentos, a tendência é de que o câmbio opere de lado nos próximos dias. "No entanto, a aparente normalização da Europa frente seu desafio fiscal traz alívio aos mercados e retira do dólar parte das pressões altistas. A moeda norte-americana deve voltar a se desvalorizar frente às outras moedas do mundo e seguir a sina de ter a menor taxa de juros da história", prevê.

Além disso, números fechados de março apontam avanço nas exportações na média diária de 1% em relação à fevereiro e de 27,4% em relação a março de 2009. "Tudo isto reitera, mais uma vez, que a recuperação econômica externa está aos poucos entrando em marcha, e isto favorece nosso setor exportador", reforça.

Fatores internos também movimentam o dia. O diretor executivo da NGO, Sidnei Moura Nehme, lembra que ainda há no mercado o sentimento de que o Ministério da Fazenda está ávido para colocar em ação o Fundo Soberano Brasileiro comprando dólares. "No entanto, se o fizer vão deixar os bancos vendidos no mercado de câmbio a vista e isto conduzirá o real a forte apreciação, já que os bancos não perderão a oportunidade para captar reais a custo baratíssimo ou até zero", comenta. Segundo ele, a depreciação do dólar é um instrumento forte de indução na contração da inflação no País e poderia amenizar a necessidade de uma alta maior da Selic. Mantendo a rotina, o BC comprou dólares no spot.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)