Investimentos na indústria farmacêutica segue forte

SÃO PAULO, 8 de abril de 2010 - A consolidação da indústria farmacêutica deve se intensificar nos próximos anos, mas as mudanças estarão na estratégia geral de aquisição de concorrentes. É o que mostra o estudo inédito "Painel da Indústria Farmacêutica" (PIF) apresentado pela Business School São Paulo (BSP).

O diagnóstico envolveu 27 empresas que representam 40% do mercado farmacêutico brasileiro. Participaram do estudo presidentes, vice-presidentes e diretores de grandes indústrias farmacêuticas multinacionais e nacionais. O PIF é realizado pelos professores da BSP José Fernando Ramadinha (diretor da Ramadinha Soluções Estratégicas ao Segmento Farmacêutico) e Ricardo Pitelli de Britto (diretor da Praxian Consultoria e Pesquisa).

De acordo com a recente publicação do estudo, o setor acredita que a onda de fusões e aquisições deve seguir firme. É o que disseram 91% dos participantes, sendo que os principais motivos para essa tendência se manter vão além da busca de economia de escala - tradicional razão impulsionadora das frequentes consolidações de empresas no setor. Dificuldades no lançamento de novos medicamentos, enfrentadas por empresas de todo o mundo, estão entre os principais motivadores dessa onda.

Para garantir o crescimento em tempos de escassez de novas entidades farmacológicas, a indústria tem se mobilizado em torno de esforços gerenciais que visem atrair recursos. "Enquanto as fusões e aquisições devem acelerar seu ritmo neste ano, novos recursos estrangeiros devem aportar no Brasil", segundo o professor José Fernando Ramadinha. E essa tendência pode ser atribuída principalmente para aquisição de novas famílias de medicamentos em fase de lançamento (para 82% dos respondentes), acesso rápido a mercados estratégicos (64%), e para complementar o portfólio (60%).

Apesar do consenso entre os líderes da indústria de que o ritmo das fusões e aquisições se manterá intenso, há também divergências. Para 60%, a pressão do acionista será um grande impulsionador da safra de F&A, enquanto que outros 30% discordam e acreditam não se tratar de um fator decisivo para ativar esse processo. O painel revela que as razões que motivam as fusões e aquisições para as indústrias de capital nacional são distintas daquelas que impulsionam os grupos estrangeiros.

(Redação - Agência IN)