Dólar sobe pelo 2º dia e se aproxima de R$ 1,80

SÃO PAULO, 8 de abril de 2010 - Após interromper seqüência de quedas, o dólar sobe com força pelo segundo dia consecutivo frente ao real, voltando a se aproximar do nível de R$ 1,80. As renovadas preocupações com a economia grega pesa sobre o humor dos mercados, que mostram queda das bolsas e das commodities e fortalecimento do dólar. No fim da manhã, a moeda norte-americana valia R$ 1,78 na venda (0,17%).

Os temores com a Grécia aumentaM na medida em que os mercados vão reforçando as perspectivas de revisão para pior na projeção do déficit público, avalia o Banco Fator. Esse cenário ganhou corpo após o declínio de 2% no nível em 2009, acima das estimativas consensuais (-1,2%). Por lá, os yields dos bonds continuam em alta, enquanto o CDS sobe e se aproxima do pior momento do ano atingido no fim de janeiro.

Além disso, cresce o medo de que o governo da China divulgue em breve um novo aumento na taxa de juros básica, já que o PIB anualizado do primeiro trimestre de 2010 apontou crescimento na faixa de 10% e a inflação anualizada está em 2,7% - muito próxima do teto esperado pelo governo. "O aumento na taxa de juros nos países emergentes ocorrerá em breve e isto cria uma expectativa de redução da atividade industrial mundial, com impacto nos preços das commodities", frisa a SLW Corretora em relatório.

Na pauta do dia, os pedidos semanais por seguro-desemprego nos Estados Unidos aumentaram de 442 mil para 460 mil na semana encerrada em 30 de março. Internamente, a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) estreará o ciclo de altas nos juros com elevação de 0,75 ponto percentual no final deste mês perdeu um pouco de força nesta manhã, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O indicador apresentou variação de 0,52% em março, número abaixo do registrado um mês antes (0,78%). Ainda no cenário inflacionário, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) mostrou desaceleração para 0,63% em março, enquanto a primeira prévia do IPC-S de abril avançou para 0,98%.

"Essa expectativa de aperto monetário na China complica não só as projeções do crescimento mundial, mas também as apostas de ajuste maior da Selic, no Brasil", lembra um especialista.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)