Queda no crédito e fala de Bernanke derrubam bolsas dos EUA

SÃO PAULO, 7 de abril de 2010 - O indicador de crédito ao consumidor e o discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), derrubaram os principais índices acionários de Wall Street nesta quarta-feira.

Com isso, ao final dos negócios, em Nova York, o índice Dow Jones Industrial Average recuou 0,66%, aos 10.897 pontos. O S&P 500 perdeu 0,59%, aos 1.182 pontos. E na bolsa eletrônica, o índice composto Nasdaq teve queda de 0,23%, aos 2.431 pontos.

O crédito ao consumidor (consumer credit) nos Estados Unidos diminuiu em fevereiro mais do que o previsto, indicando que os norte-americanos estão relutantes em assumir mais dívidas sem melhoria no mercado de trabalho. O indicador teve redução de 5,6% em fevereiro de 2010, contra o mês anterior, para US$ 11,5 bilhões.

Na opinião de Fábio Garcez, sócio-gestor da SMD Gestão de Recursos, o indicador teve forte impacto no mercado. "Foi uma queda acima da expectativa e que acelerou as perdas. Tivemos uma sessão com o mercado apático, sem definir tendência, até que a notícia do crédito definiu o cenário de pessimismo", explicou.

Além disso, Bernanke afirmou em seu discurso que os Estados Unidos devem começar a se preparar agora para os desafios colocados pelo envelhecimento da população com plano credível para reduzir gradualmente a dívida pública crescente.

O chefe do Fed disse ainda que está particularmente preocupado com a taxa de desemprego persistentemente elevada, e que espera que desça gradualmente a curto prazo.

Outro fator que alterou o humor dos investidores foi a divulgação dos estoques de petróleo nos Estados Unidos que tiveram aumento de 2 milhões de barris na semana encerrada no dia 2 de abril de 2010, na comparação com a semana anterior, acrescentou Garcez.

Por fim, o número de solicitações de empréstimos hipotecários teve retração de 11% na semana encerrada dia 2 de abril, ante o mesmo período da semana anterior e ajustado sazonalmente. Quando comparado com a semana encerrada no dia 12 de março, sem ajuste sazonal, o índice teve queda de 10,5%.

(Humberto Domiciano - Agência IN)