Ibovespa cai 0,43% acentuada pelo discurso de Bernanke

SÃO PAULO, 7 de abril de 2010 - Em dia de notícias externas negativas, a bolsa brasileira colou nos Estados Unidos e encerrou em baixa. A possível elevação dos juros na China e a situação da Grécia pesaram durante o dia, porém, o discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano), acentuou as perdas na sessão. Diante disso, o Ibovespa recuou 0,43%, aos 70.792 pontos. O giro financeiro da bolsa ficou em R$ 6,39 bilhões.

O dia começou pesado com o possível aperto monetário na China. Para Fernando Aguiar, diretor da Codepe Corretora, os juros estão demorando para aumentar, o que prejudica a economia pelo excesso de liquidez. "Com a moeda baixa, a competitividade da China em relação ao resto do mundo fica artificial. O Brasil, por exemplo, importa commodities e uma leva de produtos industrializados, o que enfraquece as indústrias nacionais", avalia o diretor. Além disso, a renegociação da dívida da Grécia ainda preocupa os investidores.

No entanto, as atenções se voltaram para os Estados Unidos. À tarde, Ben Bernanke relatou que a economia norte-americana ainda enfrenta problemas. O presidente do Fed disse que está particularmente preocupado com a taxa de desemprego persistentemente elevada, e que espera que desça gradualmente a curto prazo. "O fato da maior economia do mundo continuar com dificuldade, inquieta os agentes", acrescenta Aguiar.

Outra notícia que pesou e derrubou a bolsa brasileira foi o crédito ao consumidor dos Estados Unidos que caiu 5,6% em fevereiro de 2010. O dado indica que os norte-americanos estão relutantes em assumir mais dívidas sem melhoria no mercado de trabalho. A queda mostra que as compras dos consumidores, que respondem por cerca de 70% da economia, será limitada até que as famílias tornem-se mais otimistas sobre a recuperação.

Por aqui, as ações da Petrobras (PN) acentuaram a queda do Ibovespa e finalizaram em baixa de 0,77%, refletindo o recuo no preço do petróleo, diante do aumento nos estoques norte-americanos da matéria-prima. Já as ações da Vale (PNA) terminaram com leve alta de 0,46%.

Entre as maiores altas do pregão, destaque para as ações do Pão de Açúcar (PNA) e Klabin que avançaram 5,11% e 5,14%, respectivamente. No sentido oposto, os papéis da Usiminas (ON) (1,64%) e Fibria (ON) (2,98%) recuaram.

(Niviane Magalhães - Agência IN)