Belo Monte tem apenas um consórcio confirmado

Jornal do Brasil

RIO - O consórcio formado pelas construtoras Carmargo Corrêa e Odebrecht anunciou quarta-feira que desistiu de participar do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, previsto para o próximo dia 20. Depois de analisar as condições do edital e as respostas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a questões levantadas pelos técnicos das duas construtoras, elas informaram que, como não encontraram condições econômico-financeiras , não vão disputar a construção da usina. Nos dias 13 e 14 de abril, os consórcios devem se inscrever no site da Aneel. A disputa será no dia 20 e vence quem oferecer o menor preço a ser cobrado pela energia.

Com a desistência do grupo, o governo tenta às pressas fazer com que outro consórcio entre na disputa com o único que já registrou-se para a licitação, formado pela Andrade Gutierrez, a Neoenergia (associação entre a Iberdrola, a Previ e o Banco do Brasil), a Vale e a Votorantim.

Outros consórcios ainda poderiam associar-se a empresas do grupo Eletrobras para participarem do pleito. Na hipótese de apenas um consórcio participar da disputa, ficará extremamente comprometido o ambiente de competição que a ex-ministra da Casa Civil e virtual candidata ao Planalto, Dilma Rousseff, deseja dar à construção da terceira maior hidrelétrica do mundo (depois de Três Gargantas, na China, e Itaipu).

Mas o leilão corre o risco de não ser realizado. O Ministério Público Federal no Pará deverá entrar quinta-feira com uma ação civil pública, na Justiça Federal de Altamira, pedindo a anulação da licença prévia da usina hidrelétrica de Belo Monte, concedida pelo Ibama em janeiro. O MPF também quer o cancelamento do leilão, sob a alegação de que o governo desobedeceu uma das exigências do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) para licitação de usinas hidrelétricas.

O ministro de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, descartou possíveis problemas na realização do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte. Ele disse que a iniciativa do MP pode ter sido um equívoco , e lembrou que a licença foi concedida com base em estudos. O ministro afirmou ainda que tem confiança na adesão de três consórcios, sem divulgar quais as empresas envolvidas.