Alimentos e bebidas devem vender 5% mais

Octavio Azeredo, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O setor de alimentos e bebidas tem boas perspectivas para 2010 e deve ganhar ainda mais mercado no país com os grandes eventos mundiais previstos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. O volume de produção da indústria de alimentos e bebidas deve aumentar 5% este ano, e as vendas reais (descontada a inflação) podem subir entre 4,5% e 5%, segundo estimativa da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia). Em 2009, o faturamento do setor alimentício foi de R$ 291 bilhões, alta de 3,1% em relação ao ano anterior.

Estimamos alta das exportações de alimentos este ano para US$ 32 bilhões, o que representa uma recuperação frente à crise em 2009 (US$ 30,8 bilhões), mas ainda não atinge os valores de 2008 (US$ 33,8 bilhões). Significa que o setor ainda tem espaço para crescer avalia o diretor da Abia, Dênis Ribeiro.

Apesar do aumento do preço das commodities (matéria-prima com cotação internacional), o professor de finanças da FGV José César Castanhar disse que o cenário é favorável para a indústria de alimentos e que não deve gerar pressões inflacionárias no mercado interno.

É claro que pode haver casos de seca, enxurradas, e determinado produto inflacionar. Mas o Brasil tem um certo estoque disse Castanhar. Alimentos como açúcar, algodão, milho, arroz e soja são produtos que o Brasil está acostumado a exportar e, somente se houvesse uma maior demanda inesperada mundial, resultaria em um grande aumento nos preços conclui.

Presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Fornari disse que a principal preocupação do setor taxado no passado como um dos vilões da inflação é justamente a manutenção da estabilidade da economia. A Asserj acompanha a cesta básica desde 1994 e posso afirmar que o aumento de preços em 2009 não chegou nem à metade do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, usada pelo governo como meta da inflação).

A AmBev vai investir R$ 2 bilhões para ampliar sua capacidade de produção em 2010 o maior investimento já feito pela companhia, dona de marcas como Antarctica, Brahma, Skol, Bohemia, Gatorade, H2O e Pepsi. Por se tratar de uma empresa de capital aberto, a empresa não faz projeções de crescimento.

Ampliação de fábricas

De acordo com a assesoria de imprensa da AmBev, os recursos foram definidos com base no cenário favorável da economia brasileira e no crescimento do mercado consumidor (o volume de vendas cresceu 7,5% em 2009 até o terceiro trimestre). As fábricas serão ampliadas para atender à demanda e para atualização tecnológica e inovações, segundo informou a assessoria.

Na tendência de crescimento da indústria de alimentos no país, a Frescatto, que produz pescados nobres, prevê um aumento de receita de 10% para este ano. A empresa está lançando uma linha de espetinho de camarão empanados e cozidos.

O brasileiro aprecia muito camarão, e nós observamos que esse produto normalmente só é vendido a peso. A nossa ideia é vendê-lo já pronto para o consumo explica o diretor da Frescatto, Thiago De Luca.

Feira Expofood reúne ainda equipamentos e serviços

Com uma carteira de clientes que inclui grandes redes como Carrefour, Wallmart, supermercados Zona Sul e distribuidores como Frigocenter e Master Food, a Enseg escolheu a Super Rio Expofood para marcar sua primeira participação numa feira do gênero. A empresa, que cultiva e processa camarão em unidades próprias no Rio Grande do Norte, fez o pré-lançamento de sua nova marca, a Mare, que chegara ao mercado em maio.

Com 220 expositores, a Super Rio Expofood 2010, movimentou R$ 110 milhões em negócios de 23 a 25 de março, no Riocentro. O evento reuniu empresários dos setores de supermercado, panificação, hotelaria, franchising e restaurante.

Considerada uma das maiores feiras de alimentos, bebidas, equipamentos, serviços e tecnologia da América Latina, a 22º edição da Expofood contou com cerca de 45 mil visitantes.

Empresas de tecnologia, equipamentos e serviços também marcaram presença. Um dos destaques foi a participação da empresa alemã Rational, com filial em São Paulo, que lançou na feira o Self Cooking Center, um fogão com processo inteligente, e único no mercado, como explica o diretor comercial da empresa, Claudio Pastor.

É só botar o alimento, seja ave, peixe ou carne, e avisá-lo o que é, e se quer bem ou mal passado que, sozinho, o equipamento reconhece o tamanho e peso, escolhe a temperatura e o tempo necessário de cozimento.

O diretor afirmou ainda que o Self Cooking Center consome 60% menos energia. Segundo Claudio, a empresa pretende investir 200% a mais no Brasil este ano em relação a 2009.