Menor apetite por risco pressiona alta do dólar

SÃO PAULO, 26 de março de 2010 - O dólar subiu nesta sexta-feira, pressionado pelo menor apetite por risco. A moeda fechou em alta de 0,88%, vendida a R$ 1,826. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,39%. Em meio a um clima de tensão, com receios acerca da situação econômica dos Estados Unidos e as incertezas na Grécia, o dólar figurou como opção de investimento mais segura.

Nos EUA, a última revisão do Produto Interno Bruto (PIB) referente ao quarto trimestre decepcionou os investidores ao apontar crescimento de 5,6% - volume menor do que o auferido na medição anterior (5,9%). Ainda por lá, o índice de confiança do consumidor manteve-se estável, ao marcar 73,6 pontos em março.

Do outro lado do Atlântico, os líderes europeus parecem ter chegado a um consenso de ajuda à Grécia. Trata-se mais de um mecanismo de ajuda a ser ativado se necessário, e não um pacote pronto de recursos. A idéia é uma saída mista entre empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e empréstimos bilaterais. Segundo a nota divulgada pelos chefes de estado da zona do euro, serão substanciais recursos do FMI, mas a maior parte viria mesmo dos países da região e os recursos serão oferecidos em última instância.

Na visão da AGK corretora, o acordo elimina a possibilidade de default no curto prazo, mas não as incertezas sobre os déficits na região. Além disso, os investidores mantêm o tom de cautela ancorados na lenta recuperação do bloco.

Também no exterior, merece destaque o fato do embate entre a China e Estados Unidos em torno da relação de valor entre o dólar e o Yuan ter continuado, com o vice-ministro de Comércio da China, Zhong Shan, declarando que é errado os EUA forçarem a China a valorizar o Yuan, repudiando ainda a idéia de alguns congressistas norte-americanos de aplicação de tarifas punitivas nos produtos chineses.

Segundo o economista da NGO corretora, Sidnei Nehme, além do quadro externo, ajudou a pressionar o câmbio os bancos detentores de "posições vendidas", tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro, visando otimizar as margens de ganho na variação cambial no momento em que acentuarem o movimento de apreciação do real - que pode ocorrer na semana próxima quando se encerra o mês de março.

Como de costume, o BC comprou dólares no mercado à vista.

(Simone e Silva Bernardino - Agência IN)