Latinoamericanos vivem na região mais urbana do mundo

SÃO PAULO, 26 de março de 2010 - De acordo com o relatório sobre o Estado das Cidades da América Latina e do Caribe da Organização das Nações Unidas (ONU), a região é anunciada como a mais urbana do mundo, já que quatro em cada cinco latinoamericanos vivem em cidades.

Segundo o estudo, organizado desde 2008, os motivos para o crescimento urbano acelerado nessa região estão relacionados com o êxodo rural, impulsionado pelas dificuldades de acesso a serviços básicos no campo, além de problemas com insegurança no meio rural.

'Na América Latina, em questão de desigualdades, a urbanização não colaborou', analisa o arquiteto Luiz Bontempo, presente na apresentação do relatório. Na América Latina, diferentemente da Europa, por exemplo, a pobreza foi intensificada com o crescimento nas cidades. Em 1970, havia 116 milhões de pobres espalhados pelo continente, enquanto que, em 2007, eles passaram a ser 191 milhões. Indicador de desigualdade, a concentração de renda também é intensa, já que os 20% mais ricos detêm 56,9% da renda nessa área.

Diretamente relacionados à pobreza, os índices de desemprego nos países urbanizados são elevados no continente. Baseando-se em dados de 2008, a ONU verificou que o país com a maior taxa anual média de desemprego é a República Dominicana (14%), seguida por Colômbia (11,5%) e Jamaica (10,6). Cuba é o país com a menor taxa de desocupação, 1,6%.

De acordo com a coordenadora do projeto, Cecília Martínez Leal, o objetivo central do relatório é a informar ministros e governos locais sobre os problemas urbanos, em busca de um desenvolvimento sustentável. Porém, essa não é a versão final do projeto. 'Estamos divulgando apenas a primeira parte do relatório. O trabalho final deve ser divulgado no final de 2010', diz.

O trabalho está disponível apenas em versão digital, a ser acessado em www.onuhabitat.org, e trata ainda de distúrbio climático, planejamento urbano e governança. Além do relatório sobre a América Latina, investigações sobre África, Ásia e Países Árabes também serão realizados.

(Redação - Agência IN)