Indústria prevê crescimento por retomada das exportações

Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - Industriais brasileiros já sentem a retomada da demanda externa e acreditam que a capacidade instalada vai acompanhar o crescimento do setor, sem riscos de pressão inflacionária, de acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de março. A expectativa em relação à quantidade exportada aumentou de 53,5 pontos em fevereiro para 54,6 pontos este mês de uma escala de 1 a 100 em que os números acima de 50 indicam que o resultado foi maior do que o esperado pelos empresários no período.

Os setores com maior confiança no aumento das vendas externas foram os de bebidas e de madeira. Mas, apesar das previsões de crescimento, o país ainda não superou todos os efeitos da crise. O indicador que mostra a utilização da capacidade instalada em relação ao nível usual foi de 48,9 pontos, similar aos 48,3 pontos registrados em janeiro. Já a produção registrou alta de 1,6 pontos em março, para 50,8 pontos.

O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-Rio) Marco Aurélio Cabral ressalta que a indústria precisa de capacidade instalada ociosa para não se surpreender com possíveis demandas. Se os empresários não se prepararem para o que está por vir, há o risco de uma procura maior do que a oferta, o que causaria o aumento dos preços.

Não há chances de nos surpreendermos com inflação, porque os empresários já estão investindo em novos parques industriais ameniza Cabral. Para ele, o baixo investimento em tecnologia é o que pode realmente trazer problemas. Com o crescimento do setor, vamos precisar importar máquinas e equipamentos que não temos por aqui.

Já o coordenador do grupo de indústria e competitividade do Instituto de Economia da UFRJ, David Kupfer, alerta que os valores podem subir de outra forma. Os preços no mercado exterior, principalmente as commodities (matéria-prima com cotação internacional), estão se recuperando de forma surpreendente. Há o risco disso contaminar nosso mercado interno , disse.

Entre os fabricantes de bebidas, a expectativa sobre as exportações subiu de 45 pontos em fevereiro para 60,7 pontos em março. Na indústria de madeira, a estimativa passou de 38,4 pontos para 55,6 pontos.