Fiesp critica sobretaxa dos EUA a etanol do Brasil

SÃO PAULO, 26 de março de 2010 - A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reprova a iniciativa de parlamentares do Congresso Nacional dos Estados Unidos que apresentaram projeto de lei estendendo, por mais cinco anos, a sobretaxa do etanol brasileiro e mantendo os subsídios aos produtores norte-americanos de etanol de milho. Os incentivos, que existem há 30 anos, seriam extintos ao final deste ano como estava previsto em lei.

"Enquanto os EUA resistem à entrada do etanol brasileiro, a UE sugere a eliminação da tarifa imposta ao nosso biocombustível", diz Paulo Skaf.

No momento em que o mundo está discutindo ações para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, o projeto apresentado pelos parlamentares norte-americanos vai contra a decisão da própria Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

Em fevereiro deste ano, a Agência reconheceu o etanol brasileiro de cana de açúcar como biocombustível avançado, por entender que ele é capaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 61%, quando comparado ao uso de combustíveis fósseis. O etanol norte-americano de milho reduz as emissões em apenas 21%, na relação com esses combustíveis.

Esta decisão também renova o mandato para utilização de biocombustíveis nos Estados Unidos. A meta estabelecida para consumo obrigatório deste ano é de 12,95 bilhões de galões, dos quais 0,95 bilhão de galão deve ser, obrigatoriamente, biocombustível avançado. E, neste caso, somente o etanol brasileiro atende a tais exigências - o etanol de milho não foi reconhecido assim pela EPA.

No caso de o projeto de lei, que é apoiado por 30 deputados, vir a ser aprovado pelo Congresso, dificilmente os Estados Unidos cumprirão seu mandato de aumento gradual do consumo de biocombustíveis. A determinação da própria EPA é que, em 2015 sejam utilizados 20,5 bilhões de galões, dos quais 5,5 bilhões deverão ser biocombustíveis avançados.

"Numa clara demonstração de descaso, os deputados norte-americanos estão ignorando a determinação da Agência de Proteção Ambiental de seu próprio país e usando o protecionismo para promover seu produto em detrimento do etanol brasileiro. Isso, sem falar que o nosso produto é reconhecido por eles como mais limpo ambientalmente", afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

"Enquanto os Estados Unidos resistem à entrada do etanol brasileiro em seu território, a União Europeia acaba de divulgar estudo científico, elaborado a pedido da própria Comissão Europeia, que sugere a eliminação da tarifa imposta ao biocombustível brasileiro. Uma clara demonstração de política avançada e realista", comenta Skaf.

(Redação - Agência IN)