DIs sobem no curto prazo em dia de poucos negócios

SÃO PAULO, 26 de março de 2010 - Em dia de volume reduzido de negócios na BM&FBovespa as projeções de juros de curto prazo dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) subiram, no entanto, os vencimentos mais longos fecharam em queda. O DI com vencimento em janeiro de 2011 foi o mais negociado nesta sexta-feira com 239 mil transações efetuadas e giro de R$ 22,1 bilhões. A taxa deste papel ficou em 10,39%, ante 10,38% do ajuste anterior.

Os agentes financeiros aguardam para a próxima semana dados de inflação e atividade, sendo que o destaque da semana ficará por conta do Relatório Trimestral de Inflação, nele, os investidores conhecerão qual o sentimento de inflação da autoridade monetária. Os dados do documento devem contribuir para o consenso do mercado em relação ao rumo da taxa Selic, fixada em 8,75% ao ano.

Vale ressaltar que diante de agenda fraca os agentes continuaram digerindo os dados da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem. Para Inês Filipa, economista da ICap Brasil, a ata reforçou as expectativas de aumento nos juros em abril. Para ela, o colegiado deve optar por subir os juros entre 0,50 e 0,75 ponto percentual.

A economista mantém a projeção de juros entre 10,50% e 11% no final do ano. Segundo Inês, apesar do cenário de forte crescimento previsto para 2010, eventuais ajustes de demanda e oferta poderão ocorrer, limitando ocasionais pressões inflacionárias persistentes.

O que poderá alterar a estimativa da economista seria continua pressão por parte dos agentes econômicos quanto a expectativa de inflação crescente, obrigando ajuste mais expressivo dos juros e assim ancorar de forma mais firme as expectativas do mercado. "O ano segue cheio de incertezas, com a particularidade de ser um período eleitoral, podendo trazer volatilidade", ressalta.

Hoje a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou a Sondagem Industrial. Apesar das previsões otimistas sobre o desempenho das exportações, o país ainda não superou todos os efeitos da crise externa. De acordo com a CNI, a utilização da capacidade instalada em fevereiro ficou abaixo do nível tradicional do mês. O indicador que mostra a utilização da capacidade instalada em relação ao nível usual foi de 48,9 pontos, similar aos 48,3 pontos registrados em janeiro.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)