Sistema de saúde dos EUA beneficiará laboratórios

SÃO PAULO, 23 de março de 2010 - A reforma do sistema de saúde nos Estados Unidos será uma bênção para os laboratórios farmacêuticos, que se beneficiarão de milhões de clientes potenciais, mas seu impacto será menor para companhias de seguro.

A reforma aprovada no domingo e promulgada pelo presidente Barack Obama nesta terça-feira, permitirá ampliar a cobertura médica a 32 milhões de americanos que careciam de qualquer proteção.

Esta lei "deverá ser positiva para os laboratórios farmacêuticos, já que milhões de pessoas vão poder comprar medicamentos agora", destacou Kenneth Sperling, encarregado do seguro médico no gabinete do conselho em recursos humanos Hewitt Associates.

Em troca desta imensa fatia de mercado, os laboratórios "concederam descontos de 50% para as pessoas idosas no âmbito do programa federal Medicare (+ de 65 anos)", acrescentou Sperling.

O setor farmacêutico também aceitou pagar US$ 23 bilhões em novos impostos no prazo de 10 anos para contribuir para o financiamento da reforma.

Este excedente de impostos alcança US$ 20 bilhões no caso dos fabricantes de equipamentos médicos e US$ 67 bilhões para seguradoras de saúde.

As seguradoras também se beneficiarão da ampliação da cobertura médica para milhões de americanos.

"Significa mais gente pagando prêmios de seguro", explicou Sperling.

No entanto, serão proibidos agora de rejeitarem o seguro a pessoas com doenças preexistentes, o que supõe uma grande incógnita para eles e gastos potencialmente maiores.

Entre os milhões de pessoas que a partir de agora terão cobertura também há uma grande parte que goza de boa saúde e pagará prêmios sem gerar muita despesa médica, razão pela qual "isto compensa", acrescentou Sperling.

Além disso, antecipando-se a eventuais despesas maiores devido à obrigação de segurar pessoas com doenças preexistentes, "muitas seguradoras de saúde aumentaram fortemente seus prêmios faz pouco tempo, com altas que às vezes alcançam 30%, 40%, 50%. A questão é saber se haverá medidas corretivas" decididas pelo governo, destacou Marc Pado, analista da Cantor Fitzgerald.

(Redação com agências internacionais - Agência IN)