O que está em jogo na reforma da saúde de Obama

SP|, 22 de março de 2010 - Os Estados Unidos gastam muito mais do que outros países em termos de assistência médica, mas obtêm os piores resultados, já que permitem que milhões de pessoas corram risco de perder as casas e até a própria vida diante da falta de um seguro saúde.

Impulsionado pelo presidente Barack Obama e questionado pelos republicanos, o projeto de reforma de saúde, que neste domingo foi aprovado na Câmara dos Representantes, amplia a cobertura para 95% dos norte-americanos ao oferecer assistência a mais de 32 milhões de pessoas e controlar os preços cobrados.

A seguir, algumas características do sistema de saúde existente, descrito por muitos como uma "monstruosidade administrativa".

Os Estados Unidos são o único dos grandes países industrializados que não oferecem um sistema de saúde universal. O governo oferece cobertura a idosos e deficientes por meio do Medicare, aos mais pobres, a funcionários de governo e veteranos militares através do Medicaid.

Um total de 15,4% da população dos Estados Unidos - ou 46,3 milhões de pessoas - não tinham seguro saúde em 2008, segundo o Census Bureau. No entanto, em torno de 10 milhões não são cidadãos estadunidenses, fazendo com que o número mais frequentemente citado seja de 36 milhões de pessoas.

Cerca de 45.000 pessoas morrem anualmente nos Estados Unidos por não ter seguro saúde, destaca um estudo recente da Harvard University.

Os prêmios de seguro saúde oferecidos pelos empregadores duplicaram desde o ano 2000, e a maioria dos trabalhadores estão gastando mais de seu bolso, ao mesmo tempo em que os serviços cobertos diminuíram.

As despesas médicas são as que mais contribuem para falências pessoais e perdas de residências, à frente de julgamentos hipotecários.

Até agora, as companhias seguradoras negavam e até revogavam a cobertura das condições pré-existentes nos seguros, como ataques do coração, câncer e - em ao menos nove estados - ferimentos causados por violência doméstica.

O gasto total com saúde nos Estados Unidos chegava, em 2007, a US$ 2,2 bilhões ou o equivalente a 16,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da nação. O país fica cinco pontos acima da França, em segundo lugar e com quase o dobro do gastos de Reino Unido e Japão.

Per capita, os gastos dos Estados Unidos estão muito acima de outras nações industrializadas, com US$ 7,290 dólares em 2007. Isso é mais de US$ 2.500 dólares por pessoa que na Noruega, que está em segundo lugar, e duas vezes e meia mais que a média estimada por uma comissão de orçamento do Congresso, de US$ 2.984 dólares por pessoa.

Espera-se que o gasto em matéria de saúde se eleve até 25% da economia dos Estados Unidos em 2025, segundo uma comissão do Congresso.

Enquanto os Estados Unidos destacam-se em questões como combate ao câncer, estão atrás de outros países industrializados nas hospitalizações evitáveis por asma e diabetes, afirmou a comissão do congresso. As disparidades também conduzem a altas taxas de mortalidade infantil e uma menor espectativa de vida.

(Redação com agências internacionais - Agência IN)