Balança comercial é positiva em US$ 761 milhões no ano

Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - Apesar de o resultado da balança comercial (diferença entre exportações e importações) brasileira na terceira semana de março ter sido negativo em US$ 48 milhões, houve superávit de US$ 761 milhões no ano, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A recuperação econômica internacional está impulsionando as exportações do país de minério de ferro, aço, petróleo e grãos. Os destaques de importação são as compras de carros, combustíveis e peças automotivas. Especialistas apontam a burocracia como o grande entrave para às exportações e esperam a divulgação de novos incentivos no fim do mês.

As exportações neste mês até a terceira semana chegaram a US$ 10,218 bilhões, com média diária de US$ 681,2 milhões desempenho 25,6% acima do registrado no ano passado (US$ 506,6 milhões). O professor de comércio exterior e logística internacional da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Nelson Ludovico, lembra que, apesar do indicador positivo, a postura do país está muito atrasada.

Enquanto outros países tomam medidas mais agressivas de incentivo às exportações, o Brasil continua discutindo e adiando melhorias comenta Ludovico, referindo-se ao anúncio dos incentivos prometidos pelo governo, que foram adiados para o final do mês. Uma das principais medidas será a ampliação da permissão para que os exportadores mantenham no exterior os recursos obtidos com as vendas.

Ludovico acredita que a política industrial brasileira atrapalha a entrada de pequenas e médias empresas no comércio exterior. São potenciais desperdiçados , disse.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, não considera o resultado positivo.

Os números são altos porque são comparados com meses de crise. No início de 2009, o mundo vivia um momento de incertezas, com resultados muito negativos destaca Castro. O presidente também ressalta que há em torno de R$ 12 bilhões de soja para ser exportados, e o saldo comercial deve ficar ainda maior até o início de abril. Depois disso, não temos motivos para bons resultados.

Para o professor de economia internacional da FGV-SP, Ernesto Lozardo, os números devem melhorar ainda mais. Segundo ele, os países da Ásia estão estimulando o desenvolvimento internacional e o mercado americano está mais estável. Minérios, aço, petróleo e grãos, produtos muito exportados pelo pais, estão mais aquecidos. Isso nos dá vantagem competitiva.