Belo Monte vai custar mais de R$ 16 bi com exigências

Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - Os investimentos necessários para a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, foram revisados e serão maiores do que os R$ 16 bilhões previstos inicialmente, confirmou quinta-feira o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. As exigências feitas pelo Ibama para liberar a licença prévia do negócio impactaram e elevaram o custo para a usina.

A EPE apresentou um novo estudo para o Tribunal de Contas da União (TCU), com estimativas revisadas, disse Tolmasquim quinta-feira durante o seminário O setor energético e a transição para a economia de baixo carbono, no Rio, promovido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade.

Entregamos o estudo na quarta-feira ao TCU, mas não posso revelar o novo valor. O custo será maior por causa das atividades extras que não estavam previstas anteriormente disse Tolmasquim.

A hidrelétrica de Belo Monte será construída no rio Xingu, perto da cidade de Altamira, no oeste do Pará. A usina terá potência instalada de 11 mil MW e capacidade de gerar o equivalente a 10% do consumo energético brasileiro. Belo Monte é considerada a principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Tolmasquim contou que existe um estudo do governo para que apenas fontes renováveis sejam mantidas nos leilões de geração de energia elétrica até 2019. Ele disse que a versão preliminar do Plano Decenal de Energia 2010 ainda está sendo discutido. O documento final pode excluir completamente as licitações de projetos de usinas termelétricas a óleo.

A EPE e o Ministério de Minas e Energia analisam se é viável dar prioridade a fontes renováveis de energia, disse Tolmasquim. Segundo ele, é possível deixar de lado as térmicas a óleo, mas isso vai depender das aprovações em energia hídrica e das licenças ambientas para outras fontes de energia.