Amorim: Brasil dará 30 dias para EUA negociarem sanções

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira que, depois de o Brasil divulgar a lista de bens e serviços dos Estados Unidos que poderão ser alvo de sanções por conta da guerra do algodão, será aberto um prazo de 30 dias para que os governos americano e brasileiro busquem uma solução consensual.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) já autorizou o Brasil a retaliar em cerca de US$ 820 milhões os subsídios americanos considerados ilegais e aplicados aos produtores de algodão. O governo brasileiro nunca aplicou a penalidade, mas, de acordo com o chanceler brasileiro, a lista de bens e serviços que podem ser alvo da pena - incluindo quebra de patentes - deverá ser publicada em uma semana.

Do montante autorizado para a retaliação, a maior parte deverá ser aplicada sobre a importação de produtos americanos, mas uma parcela também pode incidir em patentes e na taxação de remessas de royalties de direitos de marcas.

Ao comentar o caso nesta quarta diante da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, Celso Amorim, disse não acreditar que a Casa Branca pense em promover uma retaliação em cima da pena a ser aplicada pelo Brasil.

"Não posso imaginar que os Estados Unidos, que promoveram a criação do GATT (Acordo Geral sobre Pautas Aduaneiras e Comércio) e da OMC (Organização Mundial do Comércio) e regras do comércio vá usar um instrumento totalmente fora das regras internacionais. Desse susto eu não morro", afirmou o ministro de Relações Exteriores.

Evitando polêmicas, Hillary Clinton disse que acredita nas negociações e espera que o caso tenha um "final feliz".

"Espero que levemos esse filme a um happy end. Como disse o ministro, a ação a ser tomada pelo Brasil não entra em efeito antes de 30 dias. Temos tempo para negociar. Espero que se resolva essa questão se chegando a uma solução de consenso", afirmou.