Crédito: concessões entram em ritmo de queda

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - A perspectiva de crédito ao consumidor recuou 0,9% em janeiro de 2010, atingindo 102,5 pontos, segundo o Indicador Serasa Experian. Foi a quarta queda mensal consecutiva do indicador, sinalizando que o ritmo de concessões de crédito às pessoas físicas entrará em rota de desaceleração durante o primeiro semestre de 2010, especialmente ao longo do segundo trimestre. A perspectiva do crédito às empresas caiu 0,5% em janeiro a terceira queda mensal consecutiva atingindo 98,3 pontos.

Tendo em vista que os indicadores de perspectiva antecipam, para os próximos seis meses, as oscilações do mercado de crédito, as recentes quedas mensais destes indicadores sinalizam que o ritmo de expansão do crédito deverá mostrar sinais de arrefecimento já durante o próximo trimestre.

Isto deverá ser mais acentuado para o volume de concessões de crédito aos consumidores do que para as empresas, dado que o recuo acumulado pelo Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor já é de 2,4% (entre outubro de 2009 e janeiro de 2010), ao passo que o Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas apresenta queda acumulada menor (1% entre novembro de 2009 e janeiro de 2010).

Além do cronograma de retirada dos estímulos fiscais às aquisições de eletroeletrônicos e automóveis, e da elevação das taxas de juros nos mercados de futuros, os quais balizam o custo do crédito para as operações de prazos mais longos, a recente decisão do Banco Central em aumentar o volume de recolhimentos compulsórios sobre os depósitos à vista e a prazo, também contribuirá para diminuir o ritmo de crescimento do crédito ainda neste primeiro semestre.

Por fim, o Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito ao Consumidor ainda permanece acima do nível dos 100 pontos. Portanto, tal desaceleração do crédito às pessoas físicas ocorrerá de forma gradual, longe de significar algo semelhante à restrição verificada entre o final de 2008 e boa parte de 2009 devido aos impactos da crise financeira internacional sobre o mercado de crédito bancário.

Para o professor do departamento de Contabilidade, Finanças e Controle da EAESP-FGV, José Pereira da Silva, a expectativa de retração da procura por crédito deve-se ao comportamento do consumidor, preocupado com o custo do próprio crédito e com a sua capacidade de pagamento.

Certa camada de consumidores atingiu um grau de compra e endividamento, por isso, começou a cortar novas aquisições. Os consumidores começam a organizar racionalmente suas compras de acordo com suas prioridades avalia.

Com agências