Utensílios domésticos: fabricantes esperam crescimento das vendas

Carolina Eloy, Jornal do Brasil

RIO - A venda de utensílios domésticos para cozinha, banheiro, sala e quartos deve crescer até 25% este ano, segundo fabricantes do setor. O aumento da renda da população brasileira combinado com os investimentos da indústria em produtos com design inovador e a criação de linhas com preços mais acessíveis animam as empresas.

Em São Paulo, a feira de utilidades e presentes Abup Show marca os lançamentos do setor. O evento é realizado duas vezes ao ano e, durante os quatro dias, de 26 de fevereiro a 1º de março, a expectativa é de que sejam fechados R$ 50 milhões em negócios. Em 2009, as vendas durante a exposição ficaram em torno de R$ 40 milhões.

A feira marca o momento em que os lojistas buscam repor seus estoques depois das vendas de Natal, destaca Albert Warwick, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Utilidades e Presentes (Abup). Este ano, o evento tem 115 expositores, e o público é estimado em 15.000 visitantes, entre lojistas e profissionais do setor.

Muitos negócios são realizados no evento, mas os maiores pedidos de grandes revendedores são feitos a partir dos contatos da Apub Show. Com isso, a feira se torna um termômetro de como será o ano para o segmento avalia Warwick.

O presidente da Abup destaca que os produtos novos são fundamentais ao nicho. Ele ressaltou que os fabricantes sem inovação em 2009 perderam até 20% das vendas. Warwick lembra que o ano passado foi difícil para o segmento. As empresas que investiram e reduziram a margem de lucro conseguiram manter as vendas em 2008.

A M. Cassab, distribuidora de diversas marcas com 1.800 itens de utensílios domésticos para cozinha, mesa, eletroportáteis, bar, café e decoração, espera vender 20% a mais em 2010. E projeta crescimento de 30% nesta edição da Abup Show.

André Cutait, um dos controladores da empresa, acredita que as classes A e B estão mais dispostas a consumir, e isso deve impulsionar as vendas este ano. Segundo ele, o mercado de utensílios domésticos tem crescido muito no Nordeste, influenciado pelo aumento da renda da população na região.

Além disso, está ampliando no Brasil a cultura de cozinhar por hobby. Com isso, aumentou a compra de objetos mais sofisticados e de maior valor agregado comemora Cutait.

Foram produzidos 221 milhões peças de cutelarias e utensílios domésticos em aço inoxidável em 2004, segundo dados do Associação Brasileira das Indústrias de Talheres, Cutelaria, Utensílios Domésticos, Hospitalares e Similares (Abitac).

Vivian Siriani, sócia da Azure, que fabrica produtos para casa como painéis de aço inox, caixas organizadoras e produtos para escritório, está otimista com os negócios durante a feira.

Notamos uma mudança de consumo em 2009, com pedidos de produtos mais funcionais. Mas acreditamos que este ano vamos vender mais itens de maior valor agregado espera Vivian.

Warwick explicou que o foco principal da Abup Show são produtos para as classes A e B, mas que a participação de objetos para a classe C deve aumentar nesta edição. As empresas estão lançando linhas com preço mais acessível. Assim, ampliam o mercado e atendem à crescente demanda da classe C .

A Saveiro Warwick lançou, no meio do ano passado, duas linhas de churrasqueiras e panelas com preço mais baixo. Warwick explicou que os novos produtos são de ferro zincado e mantêm a qualidade dos de aço inox. A venda de itens da linha de inox tradicional caiu um pouco ano passado .

Indústria de plástico: alta do comércio com o exterior

O reconhecimento internacional da qualidade e do design inovador dos utensílios domésticos brasileiros de plástico contribui para que o segmento exporte US$ 920.000 nos próximos 12 meses, segundo estimativas do Instituto Nacional do Plástico (INT). Dez empresas filiadas ao INT participaram da Feira Ambiente 2010 em Frankfurt, e durante o evento, faturaram US$ 190.000.

Gilberto Agrello, especialista em desenvolvimento de mercado da Export Plastic do INT, explica que a feira é uma vitrine internacional e a participação das empresas serve para abastecê-las de contatos que se desenvolvem em negócios nos próximos meses.

A percepção internacional sobre os produtos brasileiros melhorou. O país tem preços competitivos para a qualidade e design que oferece, e isso favorece as vendas avalia Agrello.

A Coza, que fabrica produtos de plástico para casa, está otimista com o resultado da feira e acredita que deve exportar mais este ano. Segundo Daniela Zatti, gerente Comercial da empresa, os novos produtos devem ajudar a aumentar as vendas totais em 25% este ano.

Apostamos em peças de maior qualidade e valor agregado. No exterior, o nível de vida contribui para que a população possa comprar produtos mais sofisticados enfatiza Daniela.

A Plasútil tem expectativa de crescer 10% em 2010, já que há uma recuperação de países influenciados pela economia americana. Além disso, o mercado interno pode sustentar as vendas.

Maior feira do setor sinaliza

a retomada das exportações

Depois da Feira Ambiente 2010 em Frankfurt, na Alemanha, de 12 a 16 de fevereiro, as empresas de utilidades domésticas estão otimistas e acreditam em aumento das exportações neste ano. O evento é o maior do setor no mundo, e os pedidos decorrentes da feira sinalizam reaquecimento dos negócios internacionais.

A Santa Marina, empresa dona das marcas Marinex, Duralex e Colorex, vendeu 1.500 mil peças em quatro dias de feira quase o dobro do comercializado um ano antes. A Santa Marina fabrica pratos, copos, xícaras, travessas e aparelhos completos.

Segundo Denis Simonin, diretor-executivo da fabricante, a feira serve como indicador de como será o ano. A Santa Marina exportou mais de 15 milhões de peças no ano passado.

Já chegamos a exportar 54% da produção. Por causa da crise mundial e da desvalorização do dólar, no ano passado, o volume caiu para 40% compara Simonin.

O executivo explicou que o mercado interno compensou as perdas internacionais. Para 2010, a empresa projeta crescimento de 4% nas vendas. A projeção de aumento de vendas é cautelosa. E vai depender da confirmação das exportações ao longo do ano . (C.E.)