Brasil, 3º em jovens geradores de ideias, carece de base educativa

Marta Nogueira, Jornal do Brasil

RIO - O Brasil é o terceiro país do mundo em número de jovens empreendedores dos 18 aos 24 anos, de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, liderada pela London Business School e pelo Babson College (EUA). No levantamento feito em 42 países, em 2008, o índice brasileiro foi de 25%, atrás do Irã (29%) e da Jamaica (28%).

O estudo considerou como empreendedor aquele que, nos últimos dois anos, se envolveu em novas atividades empresariais, tais como geração de novos produtos ou serviços e participação na criação de estabelecimentos ou filiais para entrar em mercados inexplorados e combinações inéditas de produto e mercado. Para especialistas, a estrutura educacional é o maior entrave para o desenvolvimento dos pequenos negócios no Brasil. Escolas e universidades não acompanham a evolução tecnológica, e os profissionais ficam despreparados para o mercado de trabalho.

O tema foi abordado na conferência Educação para o empreendedorismo tecnológico, promovida pelo Jornal do Brasil e pela Casa Brasil, com apoio da TIM e do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE-RJ). O evento reuniu empreendedores e representantes de entidades para apontar os principais desafios da sociedade ao fomentar os micro e pequenos empreendimentos. De acordo com o diretor do Instituto Genesis da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), José Roberto Aranha, em 1999 o conhecimento gerou cerca de 55% da riqueza mundial.

Os outros 45% foram relacionados aos fatores tradicionais de produção explicou Aranha. Para ele, os empresários brasileiros precisam investir em inovação, deixando de reinventar as novidades produzidas no exterior. Antigamente, as inovações eram ligadas a questões públicas. Hoje, estão relacionadas à criação de novos serviços.

Dos sete bilhões de empresas existentes no país, cerca de 6,6 milhões são pequenos negócios (com faturamento de até R$ 200 mil por mês) e micronegócios (com faturamento de até R$ 20 mil por mês), de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Além disso, cerca de 10,3 milhões encontram-se ilegais.

Estima-se que 30% têm chances de prosperar e entrar na legalidade disse o diretor-superintendente do Sebrae-RJ, Sergio Malta.

Apesar da falta de cursos em escolas e universidades que estimulem a criação de novas empresas e caminhos para viabilizar projetos, a fatia de empreendedores de 18 a 24 anos cresceu de 7% para 24% nos últimos dez anos. E, de 2007 até hoje, aumentou em 20% o número de empreendedores que abrem o próprio negócio por oportunidade, e não por necessidade.

No projeto da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco), Educação para Todos, o Brasil aparece na 88º posição em níveis educacionais entre os 128 países pesquisados, atrás da Argentina e do Paraguai. Segundo o presidente do Conselho de Administração do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), Ruy Altenfelder, é muito fácil ouvir pessoas criticando os métodos educacionais brasileiros, mas poucos fazem alguma coisa para modificar a realidade.

Apenas no CIEE-SP, 500 mil jovens estão cadastrados à espera de uma vaga de estágio destacou Altenfelder. Precisamos dar oportunidades para estes jovens, mas não depende apenas de nós.

A iniciativa de Rodrigo Baggio é um exemplo de como trazer oportunidades para um mercado com potencial. Criador do Comitê para Democratização da Informática (CDI), Baggio percebeu que, das 108 mil lan houses espalhadas pelo Brasil, cerca de 90% eram ilegais. Além disso, 70% em média dos brasileiros acessam a internet naqueles estabelecimentos.

Eu criei uma forma de chamar estes empresários para a legalidade contou Baggio, que criou uma campanha para atrair o público e ensinar meios de incrementar os negócios, e, desta forma, trouxe muitos para a legalidade. Atualmente, cerca de 2.200 lan houses são filiadas ao projeto e atendem a cerca de 600 mil clientes por mês.

Rodrigo Baggio foi estagiário do CIEE no início da carreira e se interessou pela causa social. Sinto-me realizado trabalhando desta forma. Trago oportunidades e contribuo para o crescimento do país .

Primeiro leitor eletrônico de livros brasileiro sai em junho

O primeiro leitor eletrônico de livros brasileiro, o Mix Leitor-d, será lançado em junho pela pequena empresa Mix Tecnologia. Com tela de 6 polegadas e 400 gramas, o aparelho comporta cerca de 1.500 livros em versão digital e tem uma bateria que permite mais de 8 mil trocas de páginas. O preço do eletrônico ficará entre R$ 650 e R$ 1.100. A empresa está pleiteando isenções fiscais, já que o produto terá utilidades acadêmicas.

Durante a conferência sobre educação, os diretores da Mix Tecnologia, Diego Mello e Murilo Marinho, mostraram como uma pequena ideia cresceu e irá se transformar em um grande lançamento. Diego disse que o país tem um grande potencial de leitura e que os livros precisam estar mais perto dos jovens.

Maior leitor de livros didáticos

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o maior leitor de livros didáticos do mundo, embora quase 65% dos municípios não tenham livraria e 17%, careçam de bibliotecas.

Ao contrário do que eu pensava, a maioria dos leitores atualmente são os jovens, e não os mais velhos destacou Diego.

Murilo lembra uma pequisa realizada pela Câmara Brasileira do Livro, em 2008, que mostrou que o Sudeste concentra 65% dos livros em acervos de instituições de ensino. Para ele, o e-reader brasileiro trará uma série de facilidades.

Ferramentas digitais

O Mix Leitor-d tem dicionário, tradutor, agenda, calendário e outras ferramentas lembrou Murilo. Outro benefício é não precisar mais carregar tanto peso.

O Mix Leitor-d possibilita ao aluno acessar informações sobre instituição como notas, boletins, diários de presenças, compromissos, horários de aulas e provas. De maneira parecida, o professor também tem acesso a informações pertinentes à turma e ao gerenciamento de dados sobre os alunos.

Também é possível trocar conteúdo com outros aparelhos e escutar áudio-livros completou Murilo.