IPCA-15 e vendas no varejo estimulam queda dos juros futuros

SÃO PAULO, 23 de fevereiro de 2010 - As projeções de juros embutidas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) operam em queda com os investidores analisando o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) e vendas no varejo. Há pouco, o DI com vencimento em janeiro de 2011, projetava taxa anual de 10,33%, ante 10,35% do ajuste anterior.

Nesta manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o resultado do IPCA-15 que acelerou para 0,94% em fevereiro deste ano, ante taxa de 0,52% apurada no mês anterior. O indicador veio dentro das expectativas do mercado financeiro. Vale ressaltar que o resultado, apesar de ter vindo dentro da expectativa, aponta um patamar bastante alto. "É a maior variação mensal para um mês de fevereiro desde 2004, o que evidencia a pressão altista dos preços", ressalta André Perfeito, economista da Gradual Investimentos.

Outro destaque desta manhã foi à divulgação das vendas do setor varejista, surpreendendo ao registrar queda de 0,4% em dezembro de 2009, quando comparado com o mês anterior. Já na variação anual, o volume de vendas no varejo avançou 9,1%, enquanto que a receita nominal cresceu 11,9%. No acumulado do ano, as vendas subiram 5,9% e a receita teve acréscimo de 10% em relação a igual época do ano anterior.

Inês Filipa, economista da ICap Brasil, avalia que a expectativa para o setor varejista em 2010 segue positiva, porém o ritmo de crescimento do consumo não é forte, permitindo que o colegiado do Banco Central (BC) eleve os juros quando houver uma confirmação de contaminação mais generalizada dos preços, elevando os riscos inflacionários.

Ontem, os players do mercado de juros amadureceram com mais força a idéia de que o BC teria argumentos para elevar a Selic, fixada em 8,75% ao ano, ainda no primeiro trimestre, ou seja, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. A percepção ganhou força após a divulgação do boletim Focus, que mostrou mais um ajuste para cima visto na mediana das previsões para o IPCA 2010. As pressões inflacionárias e o cenário de atividade aquecida continuam sendo o tema central das discussões entre os economistas.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)