Brasil registra déficit em conta corrente de US$3,8 bi em janeiro

JB Online

RIO - As transações correntes foram deficitárias em US$3,8 bilhões, acumulando, nos últimos doze meses, déficit de US$25 bilhões, equivalente a 1,56% do PIB, segundo informou o Banco Central nesta terça-feira, dia 23.

A conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$6,2 bilhões no mês. Destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira, US$3,7 bilhões. Já o balanço de pagamentos registrou superávit de US$2,2 bilhões em janeiro.

A conta de serviços apresentou déficit de US$1,3 bilhão em janeiro, 128% superior ao registrado para o mesmo mês de 2009. As despesas líquidas com transportes somaram US$281 milhões, aumento de 49,2% na mesma base de comparação. O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$650 milhões, ante déficit de US$250 milhões em janeiro do ano anterior, com aumento de 63,1% nos gastos com viagens ao exterior e de 14,2% nas receitas.

Dentre os demais itens da conta de serviços, no mesmo período comparativo, ocorreu elevação nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos, 44,1%; computação e informações, 41,5%; e royalties e licenças, 48,7%. Houve declínio nas despesas líquidas com seguros, 48,8%. Os outros serviços registraram ingressos líquidos de US$900 milhões, 4,8% inferiores ao resultado do mesmo mês do ano anterior.

As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$2,7 bilhões no mês, incremento de 34,7% em relação a janeiro do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$769 milhões, ante US$539 milhões no mesmo período comparativo, ampliação de 42,8%.

Já as remessas líquidas de renda de investimentos em carteira atingiram US$1,4 bilhão, resultantes de despesas líquidas de lucros e dividendos, US$187 milhões, e de juros de títulos de renda fixa, US$1,2 bilhão, incluídos os pagamentos de cupons de Globals. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$593 milhões.

No mês, as transferências unilaterais acumularam ingressos líquidos de US$278 milhões, 11,5% inferiores ao resultado de janeiro de 2009.

Os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram aplicações líquidas de US$1,2 bilhão, compreendendo US$432 milhões em aplicações líquidas em participação no capital de empresas no exterior e US$816 milhões de concessões líquidas de empréstimos intercompanhias.

Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$789 milhões. Os ingressos líquidos em participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, atingiram US$795 milhões, enquanto as amortizações líquidas de empréstimos intercompanhias totalizaram US$6 milhões.

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram entradas líquidas de US$3,7 bilhões no mês. Os investimentos em ações e em títulos de renda fixa, ambos negociados no País, apresentaram entradas líquidas de US$2,4 bilhões, comparados a US$4,3 bilhões registrados no mês anterior. Os bônus negociados no exterior apresentaram amortizações líquidas de US$469 milhões, decorrentes de despesas de US$171 milhões referentes ao Global 18A e recompras de papéis soberanos, US$298 milhões, incluídos os ágios.

Os investimentos em notes e commercial papers apresentaram ingressos líquidos de US$1,8 bilhão no mês, ante amorizações de US$885 milhões em dezembro do ano passado. As amortizações líquidas em títulos de curto prazo somaram US$30 milhões em janeiro, comparados a ingressos de US$23 milhões no mês anterior.

Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em retornos líquidos de US$2,1 bilhões em janeiro, compreendendo concessão líquida de empréstimos, US$1,2 bilhão, e redução de depósitos de bancos brasileiros no exterior, US$3,6 bilhões, e aumento de depósitos de demais setores, US$209 milhões.

Os outros investimentos estrangeiros no país registraram ingressos líquidos de US$727 milhões em janeiro. O crédito comercial de fornecedores registrou amortizações líquidas de US$76 milhões. Os empréstimos aos demais setores apresentaram ingressoss líquidos de US$770 milhões, resultado de desembolsos líquidos de créditos de compradores, US$185 milhões, e de empréstimos diretos, US$794 milhões, e de amortizações líquidas de organismos e agências, respectivamente, US$174 milhões e US$111 milhões. Os empréstimos de curto prazo somaram ingressos líquidos de US$76 milhões em janeiro.

Reservas internacionais

As reservas internacionais no conceito liquidez, que inclui o saldo das operações de empréstimo em moedas estrangeiras, somaram US$240,8 bilhões em janeiro, crescimento de US$1,8 bilhão frente ao apurado no mês anterior. No conceito caixa, as reservas internacionais somaram US$240,5 bilhões, aumento de US$2 bilhões.

As intervenções da autoridade monetária representaram compras líquidas de US$1,9 bilhão em janeiro, compostas por aquisições à vista de US$1,7 bilhão e por retornos de US$195 milhões em operações de empréstimo em moedas estrangeiras.

Em janeiro ocorreram, ainda, receitas de US$308 milhões com a remuneração das reservas e redução de US$248 milhões no estoque, decorrente de variações por preços e por paridades, principalmente.

Na mesma data, o estoque de operações de empréstimo em moedas estrangeiras reduziu-se para US$339 milhões, ante US$535 milhões observados no mês anterior.

Dívida externa

A dívida externa total, estimada para o mês de janeiro, somou US$200,9 bilhões, com redução de US$1,6 bilhão em relação à posição estimada para o mês anterior. A dívida externa de médio e longo prazos aumentou US$1,2 bilhão, atingindo US$173,1 bilhões, enquanto a dívida de curto prazo diminuiu US$2,8 bilhões, totalizando US$27,8 bilhões.

Em janeiro, observou-se elevação nos saldos da dívida externa de médio e longo prazo referentes a Notes, US$1,8 bilhão, e a empréstimos em moeda, US$794 milhões; o saldo em bônus reduziu-se em US$428 milhões. A variação de paridades acarretou redução do estoque da dívida externa em US$809 milhões.

A queda de US$2,8 bilhões no estoque da dídida externa de curto prazo deveu-se, basicamente, à redução nas obrigações dos bancos comerciais relativas ao financiamento de comércio.