Procura por turismo radical cresce, mas cuidados são importantes

Marta Nogueira , Jornal do Brasil

RIO - O turismo de aventura está em alta no mercado de entretenimento brasileiro, no entanto, especialistas alertam os consumidores para os riscos que podem fazer das férias um pesadelo. Geralmente, esta modalidade de turismo envolve graus de dificuldade, embora sejam voltadas para pessoas que ainda não têm aptidão no esporte. Empresas que oferecem atividades como rafting, rapel e bungee jumping, precisam seguir regras, e os turistas devem ficar atentos às garantias de sua própria segurança.

De acordo com o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec), José Geraldo Tardin, antes de praticar um esporte radical é preciso verificar se a empresa que oferece o serviço está formalizada e se tem alvará de funcionamento. O turista também deve se informar se suas condições físicas são compatíveis com o pacote.

Não são todos que podem fazer uma caminhada de 22 quilômetros em 8 horas avaliou Tardin. O Ibedec ressalta que se o contrato não for cumprido integralmente, o consumidor deve juntar provas como fotografias dos locais, que apresentarem disparidade com o que foi contratado, além de trocar endereço e telefone com os demais participantes para uma reclamação coletiva.

A Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) desenvolveu a Campanha do Consumo Consciente de Turismo de Aventura, em parceria com o Ministério do Turismo e apoio do Sebrae Nacional. Segundo o diretor socioambiental da associação e proprietário da Ambiental Expedições, Israel Waligora, esta modalidade de turismo é recente no país e começou a ser regulamentada nos últimos quatro anos.

Sempre que tirar os pés do chão, esteja de capacete. E sempre que entrar na água, esteja de colete salva-vidas aconselha Waligora.

A coordenadora Institucional da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), Maria Inês Dolci, lembra que não são todos os planos de saúde e seguro viagem que incluem atendimento a acidentados nestes esportes. De acordo com ela, as empresas de turismo têm toda a responsabilidade sobre seus clientes.

O turista deve estar ciente da cobertura do seu plano e saber das garantias que a empresa que oferece o esporte dá ressalta Dolci.

A gerente comercial da empresa Território Selvagem, que fica em Brotas (São Paulo), Luciana Pires, afirma que a companhia oferece atenção especial para os clientes que precisam. Desde quando entram aqui, estão todos sob nossa responsabilidade , garantiu.

Mercado

Segundo a Abeta, mais de 1.600 empresas oferecem atividades de ecoturismo e turismo de aventura e faturam em torno de R$ 490 milhões. São mais de 4,3 milhões de turistas por ano, em mais de 200 destinos, envolvendo mais de 28.000 profissionais nos períodos de alta temporada. O ticket médio por cliente é de R$ 112,00.

Treinamento alia coaching a atividades radicais

O esporte de aventura está sendo utilizado para treinar executivos e empresários para o ambiente de trabalho. Os participantes fazem arvorismo, constroem jangadas, caminham por trilhas com os olhos vendados, entre outras tarefas. O objetivo principal é tirar o funcionário da sua zona de conforto, no escritório, e apresentar uma série de desafios a serem cumpridos em meio a natureza.

De acordo com o instrutor do curso da Sociedade Latino Americana de Coaching (Slac), Alexandre Prates, as atividades são proporcionadas em um cenário no qual os participantes vivenciam desafios que exigem liderança, superação, estratégia, planejamento, trabalho em equipe e comunicação eficiente. Os participantes saem formados em liderança e prontos para novas situações.

Durante as tarefas, analisamos competências, identificando os pontos fortes e outros a serem melhorados exemplificou Prates.

O instrutor explica que o curso tem duas metodologias: coaching, que desenvolve a competência e trabalha as questões relacionadas ao ser humano e Teia Viva Organizacional, que é a aplicação da teoria em práticas ligadas ao esporte.