Inflação acelerada estimula correção nos DIs

SÃO PAULO, 22 de janeiro de 2010 - O último dia da semana foi de ajustes para cima na curva de juros futuros com os agentes financeiros repercutindo novos dados de inflação, antes da primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá entre os dias 26 e 27 deste mês. Na BM&FBovespa o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) fechou com taxa anual de 10,38%, ante 10,37% do ajuste anterior.

Nesta manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou para 0,52% em janeiro de 2010, ficando acima da taxa (0,38%) apurada em dezembro e também superior as expectativas do mercado financeiro (0,45%). O resultado do indicador foi puxado pelo reajuste de ônibus urbano e alimentos.

A equipe econômica da Gradual Investimentos comenta que a inflação deve ser observada com cuidado nos próximos meses. Se de um lado os preços administrados tendem a ficar estáveis em 2010 por conta da deflação apurada do IGP-M em 2009, a evolução dos preços livres tende a ser bem mais errática. Temos o aumento das commodities em curso, a retomada da utilização da capacidade instalada e o câmbio se desvalorizando. A combinação destes três movimentos pode jogar pressão adicional aos preços em 2010.

Na semana que vem o colegiado do Banco Central (BC) se reúne novamente para definir o rumo da taxa Selic, fixada em 8,75% ao ano. Para José Góes, analista e economista da WinTrade (Home Broker da Alpes Corretora), o Copom deve optar pela manutenção dos juros. De acordo com o economista, a ata - divulgada na semana seguinte a reunião - continua sendo mais importante do que a decisão em si. "Os economistas e analistas continuarão atentos às pistas sobre quando o Banco Central (BC) poderá elevar a taxa de juros", explica Góes.

Na segunda-feira, devido ao feriado na capital paulista, em comemoração aos 456 anos da cidade de São Paulo, não haverá negociação de juros para contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na BM&FBovespa.

(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)