Investimento estrangeiro apresenta recorde em 2009

Adriana Diniz, Jornal do Brasil

RIO - Os investimentos estrangeiros no mercado financeiro brasileiro bateram recorde em 2009, apesar das medidas do governo para conter a entrada de dólares. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC), as aplicações de investidores de outros países na Bovespa e em renda fixa (títulos de dívida pública e privada) somaram US$ 46,2 bilhões no ano passado. É o maior volume de investimentos estrangeiros no país desde 1947, início da série histórica.

Para analistas, o resultado é consequência do bom desempenho do Brasil diante da crise, o que reflete a estabilidade econômica alcançada nos últimos anos. Embora os economistas acreditem que a Bovespa tende a se tornar uma opção permanente para grandes investidores, o resultado de 2009 não deve se repetir, mesmo com a expectativa de aumento da Selic já em abril (hoje em 8,75% ao ano).

A entrada de capital estrangeiro em papéis deve ficar em US$ 23 bilhões este ano e U$ 35 bilhões será de investimentos estrangeiros diretos projeta André Sacconato, economista da Tendência Consultoria.

Em outubro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a taxação de capital estrangeiro na Bolsa e em renda fixa com 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para frear a entrada de dólares e evitar uma maior valorização do real. No mês seguinte, estendeu a cobrança para os recibos de ações brasileiras no exterior, em 1,5%.

O Banco Central prevê para este ano aplicações em renda fixa e ações de US$ 25 bilhões, mesmo com a expectativa de alta da Selic. Os juros devem subir em outros países também, o que acabará atraindo investimentos para outros lugares. Soma-se a isso o período de eleições, que deixa o investidor mais apreensivo. Mas o estrangeiro irá manter recursos no Brasil de forma permanente, porque percebeu que aqui tem grandes empresas, com boas perspectivas de crescimento , analisa Paulo Veiga, diretor de macroanálise da Mercatto Investimentos.

Para o economista Ricardo Borges, diretor da projecao.com, o forte ingresso de capital estrangeiro colaborou para o bom desempenho do Brasil diante da crise. Bancos centrais do mundo inteiro promoveram a maior política monetária expansionista em décadas, reduzindo juros, liberando compulsórios, recomprando títulos, dentre outras medidas, que resultaram em excesso de liquidez

Sem ter onde aplicar, grandes investidores procuraram direcionar o capital para aplicações com risco baixo e alta rentabilidade. Com o capital sendo direcionado para o país, e o governo promovendo uma política fiscal e monetária expansionista, o Brasil passou a se recuperar mais rápido que o resto do mundo ressalta Borges.

Do total de US$ 46,2 bilhões, segundo números do BC, os estrangeiros aplicaram US$ 37,07 bilhões em ações brasileiras e outros US$ 9 bilhões em títulos de renda fixa. A taxa de juros do Brasil ainda é uma das maiores do mundo.

O Brasil tornou-se um dos países mais rentáveis e com menor risco, se comparado a outros países em desenvolvimento afetados pela crise afirma Sacconato.

A atratividade da Bovespa também pode ser explicada pelo crescimento de algumas empresas. Nove companhias brasileiras com capital aberto aparecem no último ranking das 100 maiores empresas, divulgado no último dia 7, pela consultoria Ernst & Young. Petrobras, que aparece em nono lugar, Vale do Rio Doce, Itaú e Bradesco são algumas das que figuram na lista.

Os investimentos estrangeiros diretos (IED), que somaram US$ 25,949 bilhões em 2009, deve fechar 2010 com alta: US$ 35 bilhões, de acordo com a Tendências Consultoria.